BICIGRINO EM SANTIAGO: FATORES GERADORES DE MUDANÇAS

Costuma-se dizer no mundo dos projetos, “plano é plano e realidade é realidade” (sábia noção!), o que implica dizer que, geralmente, os planos, por melhor que tenham sido elaborados, sofrerão mudanças diante da realidade. Como não poderia deixar de ser, assim também o foi minha experiência pelo Caminho de Santiago – os trechos planejados foram alterados relativamente devido a mudanças nas premissas assumidas. 

Em primeiro lugar, as justificativas para as mudanças recaem sobre o frio intenso e algumas extensas porções de gelo nas trilhas que ainda persistiam no mês de Abril. O gelo na trilha representa um perigo iminente para o ciclista que não consegue distinguir os perigos da rota – as vezes não sabe distinguir onde está a trilha! Essa faceta de minha viagem me obrigou, algumas vezes, a deixar a trilha original do caminho e tomar as rotas alternativas de asfalto, o que não era de todo ruim, pois o piso asfáltico permitia maior velocidade e desempenho, ainda que me obrigava a prestar maior atenção, quebrando o ‘clima’ de conexão cósmica e autoconhecimento que o caminho propicia.

Um segundo fator gerador de mudanças na rota original, foi o nível de dificuldade das trilhas. Alguns tipos de piso me pareceram quase que intransitáveis com a Byke. Muita pedra e lama (chuva intensa em alguns trechos). Isso me fez optar voluntariamente pelas alternativas de piso asfáltico, o que modificava distâncias e graus de dificuldade.

A imprecisão de minhas informações prévias acerca do nível de dificuldade dos trechos (considerando ainda minha opção, algumas vezes por deixar a trilha original) contrastando com a experiência real de pedalar essas trechos, me permitiu sentir o verdadeiro grau de dificuldade de cada trecho. Alguns trechos planejados com dificuldade 3 não eram tão difíceis assim e, por outro lado, alguns trechos planejados com dificuldade 1 eram bem pesados. Por isso, alguns dias pedalei mais do que me tinha planejado e fui dormir em pueblos mais adiante, outros dias, o cansaço e o desgaste me fizeram antecipar minha parada noturna. 

Outro fator perceptível provocador de mudanças foi a iminência da chegada. Nos dias finais, já na região da Galícia depois Del Cebrero, senti que deveria pedalar mais lento, pois a proximidade da chegada trazia consigo uma sensação dúbia de alegria e tristeza. Alegria pela chegada a Santiago e tristeza pelo fim da peregrinação. Afinal, o que era mais importante, chegar ou pedalar?

Gelo e neve no caminho

Gelo e neve no caminho

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