A NECESSÁRIA RETOMADA DOS INVESTIMENTOS NO SETOR DE CONSTRUÇÃO

Projetos de infraestrutura paralisados provocam o desaquecimento da economia, a manutenção de altos índices de desemprego e a perda de oportunidades ao país. Ninguém nega que urge o destravamento dos investimentos em projetos de construção, principalmente pelos bancos públicos de fomento, entretanto, a busca por uma solução adequada ao entrave deve passar, necessariamente, pela pauta da ética, da eficiência e da transparência.

Projetos em curso, congelados pelo impedimento das grandes construtoras nacionais, deveriam ser retomados após os devidos ajustes legais de leniência e seguidos de minucioso exame do sistema de governança e compliance adotado pelas empresas.

Sistemas de gestão rigorosos e transparentes deveriam regular a relação entre o contratante público e a construtora responsável pela obra, distanciando-as tanto quanto possível, através da adoção do preposto intermediário (gerenciadora de obras), esclarecendo as responsabilidades e riscos das partes e permitindo a atuação interveniente contínua dos órgãos oficiais de fiscalização, bem como das seguradoras.

Avaliações da situação de desempenho dos projetos paralisados, realizadas por entidades externas e isentas, deveriam esclarecer de modo transparente os problemas havidos e suas responsabilidades, sem deixar de apontar alternativas de soluções para a retomada, estendendo-se essa análise às considerações acerca dos membros chave da equipe de gestão da obra, qualidade dos projetos de engenharia e suas compatibilidades, interferências com empresas concessionárias, situação de licenciamentos e desapropriações, situação financeira e de disposição de recursos, estratégia de suprimentos e produção de equipamentos, contratos com terceiros, etc.  Do mesmo modo, novos projetos propostos deveriam passar por avaliações de seu grau de definição antes de se concretizar a adjudicação da construtora e do contrato.

Enfim, o país espera pela retomada dos investimentos no setor de construção, contudo, não admite que esta seja simplista e que repita os erros de um modelo histórico corrompido, mas sim, que venha sustentada consistentemente por um modelo de gestão mais ético, eficiente e transparente.

 

Por: Alonso Mazini Soler, D.ENG – Professor do Insper

 amsol@j2da.com.br

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3 Responses to A NECESSÁRIA RETOMADA DOS INVESTIMENTOS NO SETOR DE CONSTRUÇÃO

  1. Roberto Afonso Nassif disse:

    CONCORDO JÁ É SEM TEMPO.

  2. Ricardo Tolentino disse:

    Acredito que a retomada de grandes obras por aqui só devem acontecer após uma mudança radical nos sistemas de contratação.
    O governo como contratante, seja quais leis imperem, sempre haverá meios para colocar em prática o propinoduto.
    Sem essa condicionante o sistema em vigor não contrata, porque por trás de cada contratação há interesses espúrios.
    Nada mudou ainda. Mesmo durante o período de investigações da lava-jato, estamos convivendo com outros meios de corrupção. Sempre com o envolvimento de políticos.
    Acredito que só após a privatização da economia iremos virar essa página.
    O governo, no Brasil, não tem competência e nem ética para contratar e administrar contratos. Tem que ser eliminado dessa prática.
    Talvez o melhor caminho seja fazer contratações através de PPPs com controle de empresas seguradoras que possam dar garantias da sua realização no prazo e no preço contratado.
    Se o governo tivesse interesse em movimentar a economia através de grandes obras de infraestrutura, via concessões no sistema “PPP” o Brasil já estaria em outro estágio.
    Ocorre que esse sistema não abriga negociatas, pois o investimento tem como contrapartida a prestação de serviços, via cobrança de pedágios, cobranças de passagens, ou outros, que vão permitir a solidez do negócio e o retorno dos investidores.
    Aí os governantes não conseguem benesses, porque isso não traz retorno aos investidores. Razão pela qual as PPPs não saem.
    Enquanto isso, o governo gasta a maior tempo da sua gestão para se defender, dia a dia, de novos atos de corrupção que vão surgindo e que passam pela sua governança.
    Aí o Brasil não anda e os investidores não aplicam seus recursos porque podem virar pó.

  3. Ricardo Tolentino disse:

    Acredito que a retomada de grandes obras por aqui só devem acontecer após uma mudança radical nos sistemas de contratação.
    O governo como contratante, sejam quais leis imperem, sempre haverá meios para colocar em prática o propinoduto.
    Sem essa condicionante o sistema em vigor não contrata, porque por trás de cada contratação há interesses espúrios.
    Nada mudou ainda. Mesmo durante o período de investigações da lava-jato, estamos convivendo com outros meios de corrupção. Sempre com o envolvimento de políticos.
    Acredito que só após a privatização da economia iremos virar essa página.
    O governo, no Brasil, não tem competência e nem ética para contratar e administrar contratos. Tem que ser eliminado dessa prática.
    Talvez o melhor caminho seja fazer contratações através de PPPs com controle de empresas seguradoras que possam dar garantias da sua realização no prazo e no preço contratado.
    Se o governo tivesse interesse em movimentar a economia através de grandes obras de infraestrutura, via concessões no sistema “PPP” o Brasil já estaria em outro estágio.
    Ocorre que esse sistema não abriga negociatas, pois o investimento tem como contrapartida a prestação de serviços, via cobrança de pedágios, cobranças de passagens, ou outros, que vão permitir a solidez do negócio e o retorno dos investidores.
    Aí os governantes não conseguem benesses, porque isso não traz retorno aos investidores. Razão pela qual as PPPs não saem.
    Enquanto isso, o governo gasta a maior tempo da sua gestão para se defender, dia a dia, de novos atos de corrupção que vão surgindo e que passam pela sua governança.
    Aí o Brasil não anda e os investidores não aplicam seus recursos porque podem virar pó.

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