O CUSTO DE OPORTUNIDADE DA CORRUPÇÃO NAS OBRAS DE INFRAESTRUTURA

Reportagem veiculada pelo Fantástico em 04 de Junho de 2017 calcula e denuncia o montante da corrupção nas obras de infraestruturas do Brasil. Estima-se que, desde 1970, o valor da corrupção corresponda a 17% a 35% de tudo o que foi pago pelos governos nesse período, ou seja, em unidades monetárias, teriam sido gastos de $100 a $300 Bilhões de Reais nessa prática (http://g1.globo.com/fantastico/edicoes/2017/06/04.html).

 

A magnitude absurda do número revelado induz à reflexão sobre o conceito econômico do custo de oportunidade renunciado em favor da opção pela alternativa criminosa da corrupção. Esse dinheiro, se tivesse sido aplicado em favor da sociedade e do país, poderia ter deixado milhares de escolas, creches, hospitais, casas populares, etc. Sem contar com a disposição de mais e melhor infraestrutura (estradas, ferrovias, portos, aeroportos, água, esgoto, etc.) capaz de alavancar o crescimento econômico e o bem-estar da sociedade. Escolhas criminosas, dinheiro desperdiçado que não retorna mais, benefícios que são suprimidos da sociedade.

 

Chama a atenção a extensão do período de tempo considerado no cálculo, desde 1970, revelando que o modelo de contratação e fiscalização de obras públicas de infraestrutura não se desviou e corrompeu recentemente. Trata-se de um modelo historicamente viciado que faz uso de suposta incompetência técnica, aparelhamento estatal e de interpretações subjetivas e ambíguas de brechas nas legislações vigentes para se manter operativo. Contudo, nada disso é novo ou desconhecido. Este blog, recentemente, já apontou as principais causas de sobrecustos e atrasos nas obras de infraestrutura do país – ver: https://blogdosoler.wordpress.com/2017/05/03/atrasos-e-sobrecustos-em-obras-publicas-de-infraestrutura/

 

Enfim, a poucos interessa a continuidade do modelo corrupto, assim como a ninguém interessa a paralização das obras de infraestrutura do país.  Resta a proposição de um novo modelo que passe pela descartelização do setor, internacionalização, abertura para a atuação das médias e pequenas empresas nacionais, governança ampla, modernização e atenção às legislações (compliance), transparência, ética e redundância de fiscalização e controles. Um modelo pautado na inovação e na aproximação necessária com os fundamentos amplos da economia social.

 

 

Por: Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia

Professor do Insper

amsol@j2da.com.br

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2 Responses to O CUSTO DE OPORTUNIDADE DA CORRUPÇÃO NAS OBRAS DE INFRAESTRUTURA

  1. alvarocamargo disse:

    Alonso, parabéns pelo artigo. Espero que a nossa realidade mude o quanto antes.

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