A (R)EVOLUÇÃO DAS CONSTRUTECHS

Inovação é a palavra do momento – alicerce do surgimento de empresas que buscam, através do novo, respostas relevantes (na conjugação das dimensões econômica, social e ambiental) para perguntas que nem sequer foram explicitadas ainda, mas que se manifestam como incômodos e demandas potenciais do mercado e da sociedade. Mais que nunca, empresas existentes e novos empreendedores de todos os segmentos estão apostando em inovações em produtos, processos produtivos e, de forma disruptiva, em novos modelos de negócio, provocando mudanças drásticas e descortinando um futuro até então inimaginável.

Nessa dinâmica, o segmento de construção é classificado como um dos mais conservadores do mercado, acatando lenta e tardiamente (late adopter) o movimento de mudanças que tem sido sustentado, fundamentalmente, pela disposição de novas tecnologias – artigo recente da Harvard Business Review, indica que o segmento se posiciona como penúltimo colocado no ranking mundial de adoção de tecnologias digitais.

 “A geração tech está mudando o mundo dos negócios”  

A tecnologia tem sido o alicerce dessa (r)evolução do novo e as empresas em geral estão apostando pesadamente nela para se reinventar, se reposicionar de modo competitivo e, principalmente, garantir sua fatia de espaço em mercados que estão sendo criados pela própria gênese da transformação inovadora.

Há pouco cunhou-se o termo “tech” para se denominar as novas empresas (startups) de tecnologia inseridas no contexto da inovação, dedicadas a oferecer soluções para problemas potenciais da cadeia de valor de diferentes segmentos de negócio e que, apesar de operarem sob condição crítica de incertezas, dispõem de potencial perceptível de repetitividade e escalabilidade. Nesse sentido, temos deparado com a onda de criação das Fintech (nas finanças), Lawtechs (no direto), Martechs (no marketing), Healthtechs (na saúde), Edtechs (na educação), Proptechs (no mercado imobiliário), … assim como as Construtechs no segmento da construção que, apesar do conservadorismo histórico do setor, estão mudando drasticamente os conceitos e o modo conhecido de se fazer obras e operar o negócio de modo profundo e extensível à toda a cadeia de negócios.

“A revolução sem volta das Construtechs”

 Dentre tantas inovações tecnológicas que vêm sendo ofertadas pelas Construtechs, destacam-se: a modelagem e a compatibilização de projetos através do BIM; a fabricação de elementos estruturais fora do canteiro de obras (modularização); as estruturas mistas de aço e concreto e a impressão de estruturas em 3D; o uso de materiais inovadores tais como o bioconcreto, o concreto translúcido, o concreto que brilha no escuro, a tinta que absorve energia solar, tijolos inteligentes e ecológicos; a automação dos canteiros de obras com dispositivos móveis, sensores vestíveis inteligentes, o rastreamento de ferramentas; a aplicação da Internet das Coisas (IoT), da realidade aumentada, de aplicativos e de drones; o controle do ritmo produtivo e o monitoramento de procedimentos para a realização eficiente do trabalho; a gestão sustentável da água e dos resíduos sólidos, a logística reversa, etc.

Segundo o MapaConstrutechs (www.construtechventures.com.br) atualmente são mais de 250 startups nacionais em atuação criando um ambiente de disruptura no setor.

“As Construtechs despertam interesses e investimentos” 

Não à toa, já se observa no país um movimento intenso e crescente de apoio à geração de novas ideias empreendedoras e fomento à criação de Construtechs.

Iniciativas precursoras e sólidas como a Construtech Ventures opera um fundo de venture capital específico para apoiar startups desse ecossistema e já contabiliza uma dezena de projetos em andamento.

Em paralelo, grandes empresas nacionais do segmento tradicional da construção, também estão mergulhando na onda proporcionada pelo potencial rejuvenescedor das inovações tecnológicas. Há pouco, a Andrade Gutierrez Engenharia, anunciou a criação da Vetor AG, a primeira aceleradora de Construtechs a permitir a aplicação de pilotos em escala real no país. Já de início, a Vetor AG promoveu a seleção de startups dirigidas à solução de desafios que figuravam como interesses críticos da operação das obras da matriz: Tecnologia para concreto, gestão de frota e equipamentos, apontamentos de produtividade em campo, solda e tubulações, trabalho em altura e andaimes, sondagens de solo, testes de qualidade de materiais, gestão de canteiros, gestão de almoxarifado, produtividade da mão-de-obra direta e plantio e recuperação ambiental.

 “Elas são a lenda – as startups unicórnios”

Mas não pensem que a extensão das inovações tecnológicas se limita à solução dos problemas já conhecidos das obras e do mercado atual da construção. As Construtechs não nascem, necessariamente, como apêndices das grandes empresas tradicionais do setor visando, apenas, alavancar seus desempenhos através de inovações orgânicas.

O movimento “tech” é mais profundo. Elas estão criando e são o próprio futuro que se desconhece. Elas pautarão a dinâmica dos novos negócios, em particular, da construção. E elas serão as estrelas desse novo mercado!

Um outro termo que vem sendo talhado no contexto da dinâmica da inovação disruptiva das “techs” é o das startups unicórnios. Tratam-se de empresas cuja avaliação de preço no mercado supera US$ 1 bilhão antes da abertura de seu capital nas bolsas de valores, alavancadas nas suas propostas impactantes. Atualmente, o clube fechado dos unicórnio dispõem de, aproximadamente, duas centenas de empresas em todo o mundo.

O Brasil já dispõe de suas empresas unicórnios. Elas começaram pequenas, mas hoje são os faróis do mercado – iluminam as mentes e enchem os olhos de todo empreendedor. A 99 entrou para o clube como a primeira empresa unicórnio do Brasil após receber o aporte milionário da DiDi Chuxing, empresa Chinesa dona da maior plataforma móvel de transporte do mundo. A PagSeguro superou o valor de mercado após sua oferta inicial de ações na bolsa de valores Nasdaq, nos Estados Unidos. O Nubank anunciou há pouco que a empresa chegou ao valor de US$ 1 bilhão por conta de uma rodada de investimentos.

Ainda não temos nossas Construtechs unicórnios genuinamente nacionais, mas alguém duvida de que eles já estão a caminho?

“Que venha o novo”

O que se percebe é que o segmento de construção nacional, em tempos de reavaliação de seu modus operandi e dinâmica de negócios, aposta na tecnologia e, em particular, nas Construtechs como uma alavanca propulsora de sua reinvenção e redenção.

Que venha o novo, e que estejamos atentos pois, tal como enfatizou este blog no último post, diante do novo que sustenta a mudança, configura-se necessariamente o perfil de um (igualmente) novo profissional.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

 

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