SOBRE TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO E INCLUSÃO – INSIGHTS SUPERFICIAIS

  1. Me parece ingênuo tratar (ou pressupor) a tecnologia como uma panaceia capaz de acabar com as desigualdades e promover de modo definitivo a inclusão. O Ser Humano, suas configurações orgânica, psíquica e social, e sua trajetória histórica milenar (presente no DNA e comprovado pela epigenética) compõem um sistema muito mais complexo do que podemos conceber atualmente – quem sabe um dia, com a IA e o advento do grande irmão! (provavelmente já estarei na minha horta nesse dia, plantando taioba e ora-pro-nóbis).
  1. Negar o impacto da tecnologia na inclusão social é negar a história. Ilustro simploriamente indicando a energia elétrica acessível (… e suas consequências como a TV, o refrigerador, luz que permite enxergar e estudar a noite, etc.), o telefone, os meios de transporte, a vacinas e o pré-natal, a agricultura e a disponibilidade de alimentos abundantes, etc. Nem por isso eu desconsidero os impactos negativos da tecnologia, principalmente no que diz respeito à degradação do meio ambiente e das relações humanas.
  1. A tecnologia que estamos debatendo aqui neste fórum, a TIC, inegavelmente se apresenta e configura como um recurso simples, rápido e barato de democratização da informação a nível global. Atualmente, informação é poder nas mãos do cidadão. Essa exata tecnologia empoderou a sociedade e permitiu, por um lado, derrubar ditadores sanguinários durante a Primavera Árabe em 2010 (e não por ela, o desastre humanitário na Síria persiste até hoje) e, por outro, eleger lideranças sectárias e abomináveis, na eleição Norte Americana de 2016. O que me leva a pensar que não é a tecnologia, per si, mas sim as ideologias que fazem uso dela, que promovem a exclusão e a desigualdade.
  1. Por último, se eu pudesse apontar um único elemento capaz de promover a inclusão e a igualdade, a nível global, eu diria “de boa” aos meus alunos que esse elemento é a Educação – veja o meu texto de domingo e a minha “viagem” pelos pensadores da Educação (os que eu conheço, apenas). E, assim, se a tecnologia nos possibilitar estender o alcance e a qualidade dessa Educação em prol da boa causa da igualdade e da inclusão, eu a adotaria e a defenderia de modo apaixonado (como tenho feito aqui neste fórum).

Por último, tenho a dizer que adoro o debate, mesmo que eu me posicione na defesa, quase sempre, do contraditório da “vibe” filosófica aqui vigente – eu sou assim, vcs vão aprender a me conhecer, mas sou do bem! Ontem ficamos sabendo de mais uma investida dos “tubarões” sobre nossa região de atuação. Nosso debate aqui é rico e necessário, mas a minha premissa é a de que ele deve sair rapidamente do papel e ocupar coerentemente a nossa ação tática diária (nossa praxis), fundamentada, de modo perceptível, na nossa postura ética, no nosso discurso e nas nossas ofertas de Educação. Enquanto debatemos elucubrações filosóficas, eles agem, e todos nós perdemos.

A propósito dos excluídos virarem pó, recomendo a leitura de Noah Harari e seu best seller, Sapiens. Sem querer expressar a minha opinião, adianto que o autor pressupõe o nascimento de uma nova classe de pessoas, a dos inúteis, desempregados e não empregáveis. Vale a leitura do resumo em: https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2018/01/uma-nova-classe-de-pessoas-deve-surgir-ate-2050-dos-inuteis.html

 

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Rede de Ensino Doctum – amsol@j2da.com.br

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