CONSTRUTECHS NA NUVEM, “AS A SERVICE”

junho 24, 2018

XaaS (“Anything as a Service” – pronuncia-se “Zaaz”), ou “tudo como serviço” é um conceito e uma tendência estratégica de negócios do mundo da Tecnologia da Informação que altera o modo de entrega de seus produtos – estes, deixam de ser comercializados como produtos físicos, tais como licenças de software e hardware, para serem ofertados como serviços, disponíveis na nuvem (“cloud computing”) e pagos através de contratos sob demanda.

Vantagens e desvantagens do Xaas

Essa tendência altera a contabilização dos recursos de TI que deixam de ser tratados como ativos de investimentos, inseridos no CAPEX da empresa, e passam a ser geridos como despesas do fluxo de caixa. Assim, a grande vantagem do XaaS, para quem contrata os serviços, reside na contenção de investimentos e a desimobilização de ativos, associados ao recebimento de serviços especializados e constantemente atualizados, pagos a preços razoáveis. Por outro lado, a principal desvantagem, aponta para o aumento das despesas correntes que oneram o fluxo de caixa mensal – um deslize nesse quesito tende a inviabilizar a empresa.

SmartContracts

Um contrato de serviços executado através da nuvem, garante às partes a observação estreita das condições negociadas de modo autônomo através da própria tecnologia, um perfeito exemplo de SmartContract, tal como este tem sido abordado nos últimos posts deste blog. Por um lado, o pagamento do preço acordado, na periodicidade acordada permite a continuidade na prestação de serviços, ou a sua interrupção, em caso contrário. Por outro lado, questões relacionadas ao desempenho dos serviços contratados, suas integrações, questões de segurança e de suporte técnico asseguram ao contratante o nível de serviços contratado.

Serviços padronizados e parametrizáveis

O ecossistema das startups, particularmente daquelas voltadas à indústria da construção, tende a se beneficiar e se orientar para a prestação de serviços padronizados e parametrizáveis, através da nuvem (“as a service”). Perceba que o adjetivo “padronizado”, não impõe uma limitação ao escopo contratado, mas sim, à possibilidade de customização do serviço contratado aos parâmetros demandados, permitindo a mediação remota da tecnologia e a digitalização intensiva da gestão (com todas as suas vantagens e desvantagens intrínsecas), desvinculadas do contato físico e subjetivo humano.

Construtechs na nuvem, “as a Service”.

É o caso, por exemplo, de se conceber a modelagem e a compatibilização dos projetos de arquitetura e engenharia como serviços ofertados na nuvem, ou ainda, serviços de procura, compra e a contratação de recursos (equipamentos e materiais) adequados e a menor custo para as obras, ou ainda, serviços remotos de automação dos canteiros através de dispositivos móveis e sensores vestíveis inteligentes, assim como, serviços de gestão dos contratos e de documentos, etc.

A tendência da construção se desloca da disposição concentrada de funcionários para a agregação de serviços integrados contratados na nuvem e pagos sob demanda.

O céu é o limite

Inovação tecnológica tem sido considerado o pavimento firme para o futuro do segmento da construção, capaz de garantir maior eficiência, transparência e lisura nas operações técnicas e de gestão.

Mas o fundamento de qualquer inovação tecnológica está associado a escalabilidade exponencial da ideia. Não é qualquer epifania empreendedora que alavancará um protótipo, e aqui reside a oferta remota de serviços na nuvem (“as a service”) como facilitadora do processo de viabilização das Construtechs.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

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#Construção #Inovação #Construtechs

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UMA FICÇÃO SOBRE INOVAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

junho 17, 2018

A cadeia de valor da indústria da construção civil está mudando exponencialmente ao mesmo passo do que se observa na sociedade e seus impactos na economia. O tratamento cognitivo de grandes massas de dados gerando informação, a personalização de produtos, serviços e de relacionamentos, a conexão global e em tempo real, a desimobilização do capital e o compartilhamento de ativos impõem a disruptura do modelo de negócios vigente e trazem o novo à tona. No alicerce dessa transformação reside a disposição rápida e barata da tecnologia que fomenta e dá sustentação à inovação.

Este texto escrito em forma de uma história de ficção pretende ilustrar a extensão e o poder da inovação tecnológica na integração do ecossistema da construção civil, passando pela cadeia da incorporação, marketing, engenharia, construção, financiamento, securitização, registro e legalização de ativos.

Tudo começa…

Nossa história começa no dia em que Max postou nas redes sociais que Adèle lhe pediu em casamento, e ele aceitou.

… dois anos antes…

Na verdade, nossa história não começa aí. O verdadeiro início, numa das vertentes de observação, reside na contratação de um serviço de avaliação e modelagem estatística da previsão da mobilidade econômica da cidade por uma Incorporadora. Dados sócio, ambientais e econômicos, georreferenciados, foram integrados a bases de dados disponíveis de disposição de serviços público, zoneamento urbano e de tendências sócio políticas. De posse do relatório que previa o deslocamento econômico urbano para áreas potenciais, a Incorporadora contratou uma empresa de land hunting (busca de terrenos) através de drones para encontrar espaços de compra. Com uma área adquirida, a Incorporadora contratou estudos sociológicos sobre o comportamento geracional do público alvo potencial daquela nova região, elaborou um projeto arquitetônico que se ajustava às características da demanda e lançou o empreendimento.

… de volta ao casal…

Ao anunciar o casamento pelas redes sociais, as informações disponíveis, pessoais e profissionais, de Max e Adèle foram capturadas e analisadas por uma empresa de inteligência digital de mercado. Diferentes bases de dados, estruturados e desestruturados, foram integradas por Cientistas de Dados e apontaram o casal como potencial comprador daquele empreendimento específico: a renda conjunta do casal era compatível, a localização era próxima do local de trabalho de ambos e o ambiente do bairro era condizente com o perfil descolado e inovador do casal. Hobbies e gostos específicos do casal foram utilizados na pesquisa e a frequência constante a um barzinho de cervejas artesanais na região do empreendimento foi considerado evento significativo na modelagem da oferta.

… a proposta.

Foi uma surpresa para ambos quando receberam individualmente uma proposta comercial, especificamente dirigida aos seus nomes, destacando aspectos que lhes pareciam interessantes na região, apontando a distância ao local de trabalho de ambos, as opções de transporte, valores compatíveis com sua renda e opções de financiamento pré-aprovado que levavam em conta o seu perfil de crédito já ajustado ao seu comportamento psicológico de compra e risco calculado de distrato. Uma proposta personalizada irrecusável, elaborada pela Incorporadora a partir de alternativas recebidas de empresas de marketing digital, financeiras e um escritório de advocacia que fazem uso de computação cognitiva e inteligência artificial.

… o acompanhamento da obra – um novo hobby.

Enquanto aguardavam a data do casamento, Max e Adèle acompanhavam o avanço da construção de seu primeiro imóvel através de sensores inteligentes remotos colocados em pontos específicos da obra e que alimentavam um modelador 3D e um cronograma, disponibilizados para eles através da internet, a qualquer instante e em qualquer lugar. O casal sabia, exatamente, a situação da construção do empreendimento, como um todo, e a de sua unidade, em específico. Adoravam ficar assistindo à evolução de sua unidade, desde a construção da laje, o fechamento da fachada, a alvenaria, as instalações, etc. Conferiam rigorosamente, pela internet, a metragem construída, o uso de tubulações, cerâmicas, fiação, metais e louças conforme as marcas combinadas que constavam no memorial descritivo e sempre tiravam dúvidas com seu representante na obra. O sistema disponibilizado permitia ainda ao casal tirar fotos antecipadas do interior de seu futuro apartamento durante a obra, através de tecnologia de realidade aumentada e realidade virtual, experimentando opções de arquitetura de interiores oferecidas à eles por escritórios de arquitetura parceiros da Incorporadora. Max e Adèle compartilhavam sua alegria pelas redes sociais e isso ajudava a Incorporadora a entender mais sobre eles, seu grau de satisfação e o de seu grupo de amizades, cuja compatibilização de perfil era constantemente monitorada para um ou outro novo empreendimento da empresa.

… a gestão da construção.

Invisível aos olhos do casal, o contrato da Incorporadora com a Construtora e demais contratos de fornecimento e prestação de serviços também eram administrados com a mediação de tecnologia. Todos os projetos foram compatibilizados pelo modelador 3D e desdobrados no cronograma (4D) e no orçamento da obra (5D). A obra foi concebida pré-moldada e o fornecimento das partes foi contratado e monitorado em tempo real através de sensores inteligentes que acompanhavam o pedido nas diferentes fábricas localizadas no país e no exterior. A produção remota das partes, o embarque e a chegada no canteiro foram “puxadas” conforme o cronograma de construção enxuta e geravam marcos instantâneos de atualização do cronograma, atualização do modelador, gerador de medições e realização de pagamentos, tudo via smartcontracts.

… customização da unidade, financiamento e securitização.

A Incorporadora ofereceu ainda ao casal a possibilidade de customização das áreas de sua unidade. Revestimentos, pisos, banheiros e cozinha foram oferecidos em opções customizáveis elaboradas de modo parametrizável às dimensões do ambiente por fornecedores específicos. Ofertas adicionais de customização foram acompanhadas por opções de crédito e seguros adicionais pré-aprovados e com taxas compatíveis com as disponibilidades e perfil de risco do casal.

… legalização cartorária.

Na entrega das chaves, Max e Adèle assinaram um contrato de disposição conjunta do imóvel. O cartório foi substituído pela expressão de transparência e confiança na blockchain, onde toda a história do apartamento foi registrada em blocos distribuídos, imutáveis e rastreáveis de informação, desde o projeto arquitetônico, os cálculos de engenharia, o material utilizado, o acompanhamento da obra, os contratos executados e os pagamentos realizados. A unidade 503 do bloco B, construída pela Incorporadora e comprada, inicial e solidariamente por Max e Adèle, passou a figurar na nuvem como uma entidade digital – a sua história foi registrada de modo transparente e está aberta a ser complementada pelo futuro histórico que lhe couber.

… felizes para sempre!

A entrega das chaves aconteceu dois meses antes da data do casamento e o casal foi feliz durante os dois anos que se sucederam. Certo dia, Adèle postou nas redes sociais que estava grávida. Coincidentemente, ela e Max receberam uma nova proposta de um imóvel maior, com playground e próximo de boas escolas… e a história se repetiu.

Ficção? #sqn – só que não!

Apesar do conservadorismo típico da indústria da construção, as inovações tecnológicas que a cercam florescem de modo exponencial. O ecossistema das startups de construção (construtechs) exibe uma dinâmica rejuvenescida e energizada capaz de mudar rapidamente o modelo de negócios atual. Aliás, a ficção de Max e Adèle não é mais um exercício de futurologia, ela já é real e, certamente, está presente e influenciando a sua própria história, Leitor.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Construção #Inovação #Construtechs


INOVAÇÃO EM PROJETOS DE CAPITAL – APENAS UMA TENDÊNCIA OU UMA REALIDADE?

junho 14, 2018

Texto preparado para fomentar discussões no evento AACE INOVAÇÃO EM PROJETOS DE CAPITAL – APENAS UMA TENDÊNCIA OU UMA REALIDADE? (07 de junho de 2018 – São Paulo, SP)

O que é o protocolo da confiança?

O protocolo da confiança (cadeia de blocos – “blockchain”) é uma plataforma tecnológica inovadora de transação descentralizada de dados, concebida para serem processadas as operações realizadas com a criptomoeda Bitcoin na internet, garantindo transparência, imutabilidade, rastreabilidade e segurança a todos os registros realizados.

Apesar da lenda de Satoshi Nakamoto e do mistério que ronda a sua criação, é tamanha a sensação da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain que as pessoas se sentem confortáveis em transacionar e entregar ativos, assim como vender produtos e serviços pela internet, por meio de criptomoedas, mesmo estando à distância e sem contato físico ou conhecimento mútuo entre das partes envolvidas.

Essa confiança na segurança proporcionada pela Blockchain às transações de dados pela internet tem proporcionado a perspectiva da extensão ampla das aplicações da plataforma para além das fronteiras das transações monetárias com o Bitcoin ou outras criptomoedas, incluindo aí, inclusive, a confiança na lisura do processamento de eleições nacionais, tal como, em março deste ano, foi testado nas eleições de Serra Leoa.

O que são os Smartcontract?

Um apêndice valoroso que acabou se valendo da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain são os Smartcontracts (contratos inteligentes ou contratos digitais). Estes, são programas de computador auto executáveis capazes de automatizar rotinas burocráticas simples e que podem ser processadas dentro da plataforma da Blockchain sem a interferência humana, potencializando assim credibilidade e confiança no cumprimento do objeto e das condições do contrato pelas partes.

Como ilustração imagine que você adquire um aplicativo para o seu smartphone e decide pelo pagamento parcelado. Caso você fique inadimplente, pode acontecer do programa disparar um comando de bloqueio do seu aplicativo, automaticamente, em cumprimento das cláusulas contratuais acordadas, sem a interferência humana.

Ou ainda, imagine que você é pego por excesso de velocidade por um radar inteligente que fotografa o seu carro, transforma a imagem em dados e lê a sua placa, levanta suas informações cadastrais e, imediatamente, envia um documento bancário de multa para sua residência, inserindo ainda a pontuação da penalidade em seu prontuário de motorista e contabilizando a sua dívida nos sistemas da prefeitura. Percebam que em ambos os casos o programa de computador, de forma automática e autônoma, operacionalizou todo o processo de um “pseudo contrato” digital, o primeiro relativo à aquisição de um serviço, o segundo relativo ao cumprimento de uma lei.

Inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção

No segmento da construção, os Smartcontracts operando sob a plataforma Blockchain, encontram infinitas possibilidades de aplicações que servem de solução para problemas atuais de ineficiência e potencializam a lisura das operações.

Obviamente, o fundamento básico dessas possibilidades advém da introdução de inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção que têm possibilitado a automação dos canteiros de obras por meio de: modelagem e  compatibilização de projetos através do BIM; fabricação de elementos estruturais fora do canteiro de obras (modularização); estruturas mistas de aço e concreto e a impressão de estruturas em 3D; uso de materiais inovadores tais como o bioconcreto, o concreto translúcido, o concreto que brilha no escuro, a tinta que absorve energia solar, tijolos inteligentes e ecológicos; automação dos canteiros de obras com dispositivos móveis, sensores vestíveis inteligentes, o rastreamento de ferramentas; aplicações da Internet das Coisas (IoT), da realidade virtual e aumentada, de aplicativos e de drones; controle do ritmo produtivo e o monitoramento de procedimentos para a realização eficiente do trabalho; gestão sustentável da água e dos resíduos sólidos, a logística reversa, etc.

A amplitude da aplicação dos SmartContracts e da Blockchain

Como ilustração, pode-se conceber um Smartcontract entre um prestador de serviços e seu contratante, operacionalizado através de sensores inteligentes móveis instalados próximos ao local da obra. Este se encarregaria de enviar sinais da evolução física e do controle tecnológico (qualidade) para o modelador 3D que, automaticamente, e à distância, avaliaria a conclusão e o ritmo da obra, processando a liberação de medições e o pagamento ao prestador de serviços, sem a interferência humana e a necessidade da presença física da fiscalização. O tráfego dos dados seria feito através da Blockchain, garantindo a transparência, a eficiência e a rastreabilidade da transação e minimizando indisposições entre as partes, pleitos e litígios judiciais.

Nessa mesma linha, pode-se conceber ainda os Smartcontracts atuando no recebimento, retirada e controle de estoque de materiais e ferramentas nos canteiros (KANBANS eletrônicos), controle de quantidades e produtividade de efetivos de mão de obra disponibilizados pelos prestadores de serviços, controles tecnológicos, registro e controle de condições ambientais impactando no ritmo e produtividade do avanço físico, etc. Enfim, toda e qualquer transação operacional simples que, atualmente, vem sendo realizada por indivíduos passíveis de interpretações subjetivas, erros e ilícitos, poderiam ser substituídas por operações automáticas, transparentes, públicas, rastreáveis, seguras e confiáveis, realizadas através da Blockchain.

Impactos na Gestão Contratual

A introdução de tecnologias que tornam passíveis de acordos, via Smartcontracts, as cláusulas contratuais tendem a se estender pelas operações de monitoramento e controle da obra, tais como: (a) avanço físico e processamento das medições, multas e penalidades; (b) interferências no cronograma provocadas por mudanças no planejamento previsto, reprogramações, presença de obstáculos, atividades operacionais programadas, acidentes, etc.; (c) cumprimento das obrigações contratuais sob a responsabilidade das partes, tais como a liberação de áreas e acessos, o fornecimento de autorizações e licenças, o controle de resíduos, o fornecimento de projetos de Engenharia, a liberação de frentes de serviço, etc.; (d) condições gerais de execução, tais como, as características geotécnicas das áreas designadas, a disposição de recursos fornecidos pelas partes, as condições ambientais, as exigências de qualidade e de SSMA, o controle de ativos e de efetivos alocados na obra, a elaboração de diário de obras e de data books, entre outros…

O advocacy dessa intermediação tecnológica fica ainda muito mais claro quando se considera o ambiente das obras públicas. Some-se a isso as perspectivas de eficiência na operação das obras, com ganhos na redução de custos e despesas, qualidade e celeridade das entregas, impactando positivamente a geração de empregos, renda e os cuidados ambientais.

Que venha o futuro. Vida longa aos Smartcontracts e à Blockchain!

As inovações tecnológicas introduzidas pelas Construtechs, os Smartcontracts e a Blockchain, prometem mudar abruptamente o cenário e as relações contratuais da construção. O futuro é uma folha em branco a ser desenhada e tudo ainda está no chão. No que tange às obras públicas, o contribuinte aguarda com alento a chegada desse futuro na esperança de poder usufruir efetivamente dos serviços prestados pelas edificações e pela infraestrutura disponibilizada com a sensação de eficiência e lisura no trato dos recursos que lhe pertencem.

Pauta à um candidato

Em tempo de eleições e considerando um país extremamente dividido em suas posições ideológicas, a pauta do combate à corrupção pandêmica que assola o país, desde que embasada no contexto republicano democrático e fundamentada pelos preceitos da legalidade e da justiça, ganha um significado amplo e irrestrito, capaz de pautar uma agenda comum de diálogo a ser compartilhada pela sociedade, candidatos e partidos políticos.)

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

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‘RESKILLING’ DE PROFISSIONAIS DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/06/03/reskilling-de-profissionais-de-engenharia-e-construcao/

TECNOLOGIA E EFICIÊNCIA NA CONSTRUÇÃO

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BIM E A NOVA LEI DAS LICITAÇÕES – PROPOSTAS LEGISLATIVAS PARA A CONSTRUÇÃO

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BIM EM OBRAS PÚBLICAS

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OBRAS PARALISADAS – UMA QUESTÃO DE PRIORIDADE NACIONAL

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GESTÃO CONTRATUAL EM TEMPOS DE SMARTCONTRACTS E BLOCKCHAIN

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SMARTCONTRACTS E BLOCKCHAIN NA CONSTRUÇÃO

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A (R)EVOLUÇÃO DAS CONSTRUTECHS

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A AMPLITUDE DA APLICAÇÃO DA BLOCKCHAIN E SMARTCONTRACTS EM CONSTRUÇÃO

junho 10, 2018

Texto preparado para fomentar discussões no evento AACE INOVAÇÃO EM PROJETOS DE CAPITAL – APENAS UMA TENDÊNCIA OU UMA REALIDADE?

07 de junho de 2018 – São Paulo, SP

O que é a Blockchain?

A Blockchain (“o protocolo da confiança”) é uma plataforma tecnológica inovadora de transação descentralizada de dados, concebida para serem processadas as operações realizadas com a criptomoeda Bitcoin na internet, garantindo transparência, imutabilidade, rastreabilidade e segurança a todos os registros realizados.

Apesar da lenda de Satoshi Nakamoto e do mistério que ronda a sua criação, é tamanha a sensação da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain que as pessoas se sentem confortáveis em transacionar e entregar ativos, assim como vender produtos e serviços pela internet, por meio de criptomoedas, mesmo estando à distância e sem contato físico ou conhecimento mútuo entre das partes envolvidas.

Essa confiança na segurança proporcionada pela Blockchain às transações de dados pela internet tem proporcionado a perspectiva da extensão ampla das aplicações da plataforma para além das fronteiras das transações monetárias com o Bitcoin ou outras criptomoedas, incluindo aí, inclusive, a confiança na lisura do processamento de eleições nacionais, tal como, em março deste ano, foi testado nas eleições de Serra Leoa.

O que são os Smartcontracts?

Um apêndice valoroso que acabou se valendo da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain são os Smartcontracts (contratos inteligentes ou contratos digitais). Estes, são programas de computador auto executáveis capazes de automatizar rotinas burocráticas simples e que podem ser processadas dentro da plataforma da Blockchain sem a interferência humana, potencializando assim credibilidade e confiança no cumprimento do objeto e das condições do contrato pelas partes.

Como ilustração imagine que você adquire um aplicativo para o seu smartphone e decide pelo pagamento parcelado. Caso você fique inadimplente, pode acontecer do programa disparar um comando de bloqueio do seu aplicativo, automaticamente, em cumprimento das cláusulas contratuais acordadas, sem a interferência humana.

Ou ainda, imagine que você é pego por excesso de velocidade por um radar inteligente que fotografa o seu carro, transforma a imagem em dados e lê a sua placa, levanta suas informações cadastrais e, imediatamente, envia um documento bancário de multa para sua residência, inserindo ainda a pontuação da penalidade em seu prontuário de motorista e contabilizando a sua dívida nos sistemas da prefeitura. Percebam que em ambos os casos o programa de computador, de forma automática e autônoma, operacionalizou todo o processo de um “pseudo contrato” digital, o primeiro relativo à aquisição de um serviço, o segundo relativo ao cumprimento de uma lei.

Inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção

No segmento da construção, os Smartcontracts operando sob a plataforma Blockchain, encontram infinitas possibilidades de aplicações que servem de solução para problemas atuais de ineficiência e potencializam a lisura das operações.

Obviamente, o fundamento básico dessas possibilidades advém da introdução de inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção que têm possibilitado a automação dos canteiros de obras por meio de: modelagem e compatibilização de projetos através do BIM; fabricação de elementos estruturais fora do canteiro de obras (modularização); estruturas mistas de aço e concreto e a impressão de estruturas em 3D; uso de materiais inovadores tais como o bioconcreto, o concreto translúcido, o concreto que brilha no escuro, a tinta que absorve energia solar, tijolos inteligentes e ecológicos; automação dos canteiros de obras com dispositivos móveis, sensores vestíveis inteligentes, o rastreamento de ferramentas; aplicações da Internet das Coisas (IoT), da realidade virtual e aumentada, de aplicativos e de drones; controle do ritmo produtivo e o monitoramento de procedimentos para a realização eficiente do trabalho; gestão sustentável da água e dos resíduos sólidos, a logística reversa, etc.

A amplitude da aplicação dos SmartContracts e da Blockchain

Como ilustração, pode-se conceber um Smartcontract entre um prestador de serviços e seu contratante, operacionalizado através de sensores inteligentes móveis instalados próximos ao local da obra. Este se encarregaria de enviar sinais da evolução física e do controle tecnológico (qualidade) para o modelador 3D que, automaticamente, e à distância, avaliaria a conclusão e o ritmo da obra, processando a liberação de medições e o pagamento ao prestador de serviços, sem a interferência humana e a necessidade da presença física da fiscalização. O tráfego dos dados seria feito através da Blockchain, garantindo a transparência, a eficiência e a rastreabilidade da transação e minimizando indisposições entre as partes, pleitos e litígios judiciais.

Nessa mesma linha, pode-se conceber ainda os Smartcontracts atuando no recebimento, retirada e controle de estoque de materiais e ferramentas nos canteiros (KANBANS eletrônicos), controle de quantidades e produtividade de efetivos de mão de obra disponibilizados pelos prestadores de serviços, controles tecnológicos, registro e controle de condições ambientais impactando no ritmo e produtividade do avanço físico, etc. Enfim, toda e qualquer transação operacional simples que, atualmente, vem sendo realizada por indivíduos passíveis de interpretações subjetivas, erros e ilícitos, poderiam ser substituídas por operações automáticas, transparentes, públicas, rastreáveis, seguras e confiáveis, realizadas através da Blockchain.

Impactos na Gestão Contratual

A introdução de tecnologias que tornam passíveis de acordos, via Smartcontracts, as cláusulas contratuais tendem a se estender pelas operações de monitoramento e controle da obra, tais como: (a) avanço físico e processamento das medições, multas e penalidades; (b) interferências no cronograma provocadas por mudanças no planejamento previsto, reprogramações, presença de obstáculos, atividades operacionais programadas, acidentes, etc.; (c) cumprimento das obrigações contratuais sob a responsabilidade das partes, tais como a liberação de áreas e acessos, o fornecimento de autorizações e licenças, o controle de resíduos, o fornecimento de projetos de Engenharia, a liberação de frentes de serviço, etc.; (d) condições gerais de execução, tais como, as características geotécnicas das áreas designadas, a disposição de recursos fornecidos pelas partes, as condições ambientais, as exigências de qualidade e de SSMA, o controle de ativos e de efetivos alocados na obra, a elaboração de diário de obras e de data books, entre outros…

O advocacy dessa intermediação tecnológica fica ainda muito mais claro quando se considera o ambiente das obras públicas. Some-se a isso as perspectivas de eficiência na operação das obras, com ganhos na redução de custos e despesas, qualidade e celeridade das entregas, impactando positivamente a geração de empregos, renda e os cuidados ambientais.

Que venha o futuro. Vida longa aos Smartcontracts e à Blockchain!

As inovações tecnológicas introduzidas pelas Construtechs, os Smartcontracts e a Blockchain, prometem mudar abruptamente o cenário e as relações contratuais da construção. O futuro é uma folha em branco a ser desenhada e tudo ainda está no chão. No que tange às obras públicas, o contribuinte aguarda com alento a chegada desse futuro na esperança de poder usufruir efetivamente dos serviços prestados pelas edificações e pela infraestrutura disponibilizada com a sensação de eficiência e lisura no trato dos recursos que lhe pertencem.

Pauta à um candidato

Em tempo de eleições e considerando um país extremamente dividido em suas posições ideológicas, a pauta do combate à corrupção pandêmica que assola o país, desde que embasada no contexto republicano democrático e fundamentada pelos preceitos da legalidade e da justiça, ganha um significado amplo e irrestrito, capaz de pautar uma agenda comum de diálogo a ser compartilhada pela sociedade, candidatos e partidos políticos.)

#Blockchain #Smartcontracts #Construção #Engenharia #Inovação #Construtechs

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

Veja também os posts das últimas semanas…

‘RESKILLING’ DE PROFISSIONAIS DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO

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TECNOLOGIA E EFICIÊNCIA NA CONSTRUÇÃO

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BIM E A NOVA LEI DAS LICITAÇÕES – PROPOSTAS LEGISLATIVAS PARA A CONSTRUÇÃO

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BIM EM OBRAS PÚBLICAS

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OBRAS PARALISADAS – UMA QUESTÃO DE PRIORIDADE NACIONAL

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GESTÃO CONTRATUAL EM TEMPOS DE SMARTCONTRACTS E BLOCKCHAIN

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SMARTCONTRACTS E BLOCKCHAIN NA CONSTRUÇÃO

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A (R)EVOLUÇÃO DAS CONSTRUTECHS

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TECNOLOGIA E EFICIÊNCIA NA CONSTRUÇÃO

maio 27, 2018

Apostar no embarque da tecnologia no segmento da construção é apostar no aprimoramento da eficiência – assertividade de custos, prazos e qualidade em prol da relação contratual acordada e justa entre as partes e em benefício do cidadão. Mas não se enganem. Não é apenas a tecnologia, por si, que virá alterar o curso atual do desempenho questionável da construção.

Se por um lado, a tecnologia permite integrar de modo digital e imediato a comunicação e os dados e informações relevantes de todo o ciclo de vida do projeto que, até então, eram elaborados, capturados, manuseados, compatibilizados, processados e analisados através de papel e por meio da subjetividade humana, por outro lado, ela ainda não prescinde da criatividade e competência na concepção do projeto e de planejamento e gestão adequados durante a execução.

Um dia na construção

A Hexagon PPM®, principal empresa de software de Engenharia do mundo saiu na frente e nos convida para “Um Dia na Construção” (https://youtu.be/w0OfO1IpR3U) onde apresenta a sua visão de futuro das soluções de tecnologia da informação que alavancam a eficiência durante as fases de design, aquisição, construção e operação de instalações industriais e projetos de construção de grande escala. Trata-se de um mergulho nas disposições e nas potencialidades da tecnologia aplicadas à construção que possibilita prever redução significativa nos desperdícios e custos atuais.

… tecnologia que começa no projeto de Engenharia

Em um projeto EPC (Engineering, Procurement & Construction) tudo começa com o design da Engenharia (FEED e detalhamento) que passa a ser realizado através de tecnologias de modelagem 3D que permitem a integração, compatibilização e simulação de todas as disciplinas simultâneas (civil, elétrica, hidráulica, instrumentação, etc.), proporcionando ganhos significativos no que tange a visualização prévia de possíveis interferências que não seriam transparentes na simples sobreposição de folhas e plantas, permitindo a elaboração de ajustes e a tomada de ações corretivas de modo preventivo.

Extensão e integração das visões 3D, 4D e 5D

A partir da modelagem macro (3D) do projeto de Engenharia, a tecnologia visual e integrada dos novos sistemas permite ampliar o planejamento à visão do tempo, através do cronograma (4D), e à visão dos recursos e custos, através do orçamento (5D). Sistemas especialistas e bases de dados integrados possibilitam o compartilhamento das informações precisas e em tempo real, resultando em transparência e precisão das avaliações de acompanhamento e controle.

Pacotes de Trabalho e Folhas Tarefa em campo  

O uso da tecnologia permite ainda integrar o planejamento macro ao planejamento de campo, desdobrando volumes, áreas ou blocos do modelo de Engenharia (3D) em Pacotes de Trabalho que passam a ser programados periodicamente e distribuídos através de Folhas Tarefa às equipes de campo, integrando informações sobre as atividades a serem realizadas, as orientações aos DDOs (Diálogos Diários de Obra) e os EPIs necessários, bem como, garantindo a disponibilidade de equipamentos, ferramentas, materiais e recursos necessários para sua realização. Tudo isso passa a ser realizado com certa antecedência de algumas semanas de modo a garantir que os recursos estarão disponíveis para a execução do trabalho na data programada.

Desse modo, supervisores e suas equipes passam a dispor, diariamente e em seus aparatos mobile, da programação de suas atividades, dos staffs requeridos para realizá-las, da produtividade esperada e dos requisitos de qualidade e de medição para a sua conclusão e entrega, facilitando ganhos de produtividade das equipes e atestando de modo integrado as entregas realizadas.

Controles por dispositivos móveis e realidade aumentada

Nesse momento, a tecnologia vai além e permite a incorporação de dispositivos móveis de laser scanning, posicionados em pontos previamente planejados da obra, que avaliam de modo autônomo o avanço do trabalho e alimentam e atualizam o cronograma e o modelo 3D, de onde decorrem as ações gerenciais de controle de prazos, de custos e as liberações de medições próprias e de terceiros. Em paralelo, tecnologias de realidade aumentada, através de dispositivos móveis, permitem sobrepor a realidade da construção com o modelo 3D visando entender o avanço da obra e suas complexidades, além de comparar o já foi feito com o que ainda precisa ser.

O embarque da tecnologia na construção

Enfim, a tecnologia já antecipou o seu embarque na construção e tudo isso já pode ser considerado realidade e não um mero exercício de futurologia – tudo parece ser mais simples, mais fácil, mais intuitivo, mais produtivo, mais eficiente e com potencial de ser também mais ético. Some-se a isso os avanços em curso na adoção de SmartContracts sob plataformas da Blockchain e temos um retrato otimista do que se espera do novo trabalho no segmento da construção, do ganho de eficiência promovido e das novas competências profissionais requeridas dos trabalhadores dessa nova era.

 … sim, mas vale uma ressalva

Entretanto, vale ressaltar que apesar do futuro estar fadado ao embarque definitivo da tecnologia na construção e marcado pelo encolhimento do espaço que antes estava reservado às atividades humanas operacionais que, agora, passa a ser ocupado pela tecnologia, esse movimento, per si, não deixará nunca de demandar a criatividade e a excelência da Engenharia e a competência na gestão das obras. Por melhor que seja a tecnologia utilizada na obra, ela não prescinde da inteligência humana para alcançar seus resultados promissores.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br


BIM E A NOVA LEI DAS LICITAÇÕES – PROPOSTAS LEGISLATIVAS PARA A CONSTRUÇÃO

maio 20, 2018

As pautas, governamental e parlamentar das últimas semanas, têm sido curiosamente dinâmicas e interessantes à quem se interessa por avanços na legislação pertinente às obras públicas.

A Estratégia Nacional de Disseminação do BIM

O Diário Oficial da União de 18 de maio de 2018 traz a publicação do Decreto nº 9.377/2018 que institui a Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling – Estratégia BIM BR, com a finalidade de promover o ambiente adequado ao investimento em BIM e sua difusão no país, assim como, encaminhar a operacionalização da exigibilidade gradual do BIM no âmbito do Governo Federal. O Decreto nº 9.377/2018 revoga decreto anterior de junho de 2017 que instituiu o Comitê Estratégico de Implementação do BIM (CE-BIM) e que alavancou a discussão e o encaminhamento da implantação da tecnologia nas obras públicas do país.

A nova Lei de Licitações

Concomitantemente, avançam as discussões no Congresso nacional sobre a proposta da nova Lei de Licitações (PLS 1292/95, 6814/17 e apensados). Espera-se que a Comissão Especial que analisa a proposta se reúna na próxima terça-feira (22/maio) para discutir e votar o parecer do relator. O texto da proposta que seguirá para votação ainda não foi divulgado, mas sobre ele pairam expectativas positivas de que contemple avanços decorrentes dos debates mobilizados pela sociedade: a criminalização do superfaturamento de compras públicas, a manutenção da contratação integrada e a implantação do Performance Bond que estende a responsabilização das seguradoras a 100% do valor do contratos, implicando na obrigação da fiscalização da execução das obras públicas e na realização de auditoria contábil nos contratos.

Otimismo decorrente da disposição de tecnologia

Perspectivas otimistas decorrentes dessas duas proposições emergem do debate sobre a disposição de tecnologias digitais BIM em prol da precisão e da compatibilização dos projetos de engenharia contratados, assim como da potencialização dos controles, da fiscalização e da eficiência e transparência na gestão das obras, respaldadas pela modernização e o aumento da segurança jurídica dos contratos.

Dúvidas sobre a natureza virtuosa das propostas

De fato, as obras públicas deveriam ser retomadas imediatamente, sob pena de comprometerem o futuro do país, entretanto, deveriam vir sustentadas sob diferentes alicerces legais, regulatórios, éticos e tecnológicos. O poder público deve fazer a sua parte, assim como as empresas privadas e o mercado da construção deveriam se reorganizar no contexto de uma nova governança efetiva, transparente, ética e confiável. A geração de emprego e renda agradecem. A sociedade ávida por um futuro melhor agradece.

Resta acompanhar os desdobramentos dessas duas novas proposições atentos à capacidade e vontade do atual governo de pautar, e do Congresso Nacional, de dar prosseguimento às discussões necessárias. Resta também avaliar a verdade sobre a natureza virtuosa das propostas mencionadas, considerando serem provenientes de governo e congresso envolvidos em acusações de desvios decorrentes, exatamente, das falhas legais que tais propostas visam corrigir e coibir.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br


EDITORIAL: SISTEMA EM RECUPERAÇÃO

abril 8, 2018

Este blog se ocupa em fazer o advocacy da efetividade de obras públicas em favor da sociedade, gravitando sobre temas da engenharia, da gestão, da inovação e dos aspectos legais e litigiosos que fundamentam o tema.

Em um ano de persistente presença semanal este blog vem denunciando descaminhos, analisando perspectivas e propondo alternativas ao negócio da construção, na tentativa de reverberar e influenciar mudanças significativas em um sistema historicamente contaminado por relações antiéticas e ilícitas entre empresários e agentes públicos, que minam as possibilidades de futuro do país e que destroem a esperança da sociedade.

A prisão de um ex-presidente da república, fundamentada exatamente no enredo deste blog, não é um fato midiático a ser comemorado, mas sim, a ser lamentado. Ela expõe as entranhas do sistema doente e demonstra, assustadoramente, a profundidade e a extensão de sua metástase. Entretanto, o fato extremo revela o amadurecimento da sociedade e a força de suas instituições que, mantendo-se rigorosamente pautadas pela lei, pelo direito e pelos princípios democráticos e republicanos, conseguiram chegar tão longe e de modo peremptório.

Esta última, ou as demais prisões significativas já realizadas no âmbito do mesmo contexto, não extinguem a corrupção no segmento da construção, mas certamente abalam e enfraquecem o sistema doente, revelam o potencial curativo dos caminhos da governança e do cumprimento rigoroso das leis (compliance), e possibilitam a retomada da esperança da sociedade.

Que a relevância dessa prisão não esmoreça os ânimos da sociedade e das instituições ocupadas com o tratamento e a recuperação do sistema. Há muito o que fazer, há muitos que ainda devem pagar por seus erros. Continuemos atentos!

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br