A NECESSÁRIA RETOMADA DOS INVESTIMENTOS NO SETOR DE CONSTRUÇÃO

maio 29, 2017

Projetos de infraestrutura paralisados provocam o desaquecimento da economia, a manutenção de altos índices de desemprego e a perda de oportunidades ao país. Ninguém nega que urge o destravamento dos investimentos em projetos de construção, principalmente pelos bancos públicos de fomento, entretanto, a busca por uma solução adequada ao entrave deve passar, necessariamente, pela pauta da ética, da eficiência e da transparência.

Projetos em curso, congelados pelo impedimento das grandes construtoras nacionais, deveriam ser retomados após os devidos ajustes legais de leniência e seguidos de minucioso exame do sistema de governança e compliance adotado pelas empresas.

Sistemas de gestão rigorosos e transparentes deveriam regular a relação entre o contratante público e a construtora responsável pela obra, distanciando-as tanto quanto possível, através da adoção do preposto intermediário (gerenciadora de obras), esclarecendo as responsabilidades e riscos das partes e permitindo a atuação interveniente contínua dos órgãos oficiais de fiscalização, bem como das seguradoras.

Avaliações da situação de desempenho dos projetos paralisados, realizadas por entidades externas e isentas, deveriam esclarecer de modo transparente os problemas havidos e suas responsabilidades, sem deixar de apontar alternativas de soluções para a retomada, estendendo-se essa análise às considerações acerca dos membros chave da equipe de gestão da obra, qualidade dos projetos de engenharia e suas compatibilidades, interferências com empresas concessionárias, situação de licenciamentos e desapropriações, situação financeira e de disposição de recursos, estratégia de suprimentos e produção de equipamentos, contratos com terceiros, etc.  Do mesmo modo, novos projetos propostos deveriam passar por avaliações de seu grau de definição antes de se concretizar a adjudicação da construtora e do contrato.

Enfim, o país espera pela retomada dos investimentos no setor de construção, contudo, não admite que esta seja simplista e que repita os erros de um modelo histórico corrompido, mas sim, que venha sustentada consistentemente por um modelo de gestão mais ético, eficiente e transparente.

 

Por: Alonso Mazini Soler, D.ENG – Professor do Insper

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CRISE POLÍTICA E O MARTÍRIO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO

maio 22, 2017

Ainda sob o efeito da ressaca do recente tsunami político que abalou o país com as delações da JBS, cabe fazer um rescaldo imediato e avaliar os impactos específicos provocados na atividade econômica da indústria da construção que representa, atualmente, o segundo maior setor econômico do país, logo atrás da agroindústria, com 16% do PIB e 3,5 milhões de empregos, ou 6% do total.

 

A crise política do país que se estende e agudiza, sem trégua, ao longo dos últimos anos, tem impactado significativamente os resultados desse segmento que se caracteriza, principalmente, por ser altamente dependente de grandes investimentos. Sem segurança institucional, principal efeito perceptível da crise política, sem perspectivas de crescimento econômico sustentável e sem a oferta de financiamentos adequados, elevam-se os riscos dos investidores e inviabilizam-se os projetos de construção, paralisando o segmento e impactando negativamente seus potenciais resultados econômicos e sociais.

 

Nesse contexto, a mais nova crise política divulgada, estopim de uma crise institucional sem paralelo na história do país, promove um desserviço significativo à retomada das grandes obras de infraestrutura e uma nova carga de desalento à massa de desempregados do setor da construção. Investidores privados, nacionais e internacionais, contabilizam seus riscos e se retraem ou transferem seus capitais para outros locais com maior previsibilidade e segurança de retorno. Instâncias da administração pública direta, não conseguem investir em obras devido ao estado caótico de suas contas que apontam para a insolvência generalizada. Estatais se retraem com receio de tornarem-se alvos de novos capítulos de operações criminais. Bancos privados deixam de ofertar crédito sem o aval de bancos públicos. Bancos de fomento se mantêm paralisados em suas operações de crédito para a construção, aguardando uma solução de governança que lhes permitam retomar as operações em conjunto com empreiteiras que se encontram expostas no centro da crise. Seguradoras não dispõem de obras para garantir, mas mesmo que as tivessem, devido aos riscos que representam, cobrariam prêmios incompatíveis com a viabilidade dos projetos.               

Enfim, enquanto não houver solução, ou um encaminhamento bem aceito pela sociedade, para a crise política e institucional do país, não haverá investimentos disponíveis e não haverá a retomada da indústria da construção, reverberando negativamente o seu martírio no conjunto da economia. Que se encontre uma solução para Brasília, rápida e contundente, para que o setor da construção volte a representar uma força econômica de sustentação do país. 

 

 

Por: Alonso Mazini Soler, D.ENG – Professor do Insper

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A VIABILIDADE DE OBRAS PÚBLICAS

maio 15, 2017

Reportagem veiculada pelo Jornal Bom Dia Brasil em 07 de Maio de 2017 denuncia o mal uso de recursos públicos através de obras acabadas de UPAS e Centros de Saúde que permanecem inoperantes devido a, supostamente, crise e falta de planejamento – “Um bilhão de reais aplicados e zero resultados” (https://globoplay.globo.com/v/5852960/programa/).

Um dos fundamentos que sustentam a autorização de um projeto de construção é o seu estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira. Os estudos de viabilidade técnica proporcionam a definição da exequibilidade da obra e a consideração de alternativas de métodos construtivos mais adequados diante das condições geográficas, técnicas e humanas presentes. Já os estudos de viabilidade econômica e financeira visam a elaboração de estimativas da relação benefício/custo e dos riscos do investimento – ambos os estudos, dão racionalidade e transparência à decisão de se realizar (ou não) a obra.

O Prof. Harold Kerzner, um ícone do Gerenciamento de Projetos, afirma que “as organizações tendem a não autorizar projetos cujos benefícios não superem os seus custos” – o que parece óbvio numa perspectiva racional financeira. Mas conclui dizendo: “benefícios podem ser considerados em termos financeiros ou não financeiros”, o que reflete o carácter econômico de um projeto de construção que, principalmente nas obras públicas, tendem a produzir benefícios considerados intangíveis – aqueles que não podem ser, diretamente, estimados através do retorno monetário, mas sim, através de resultados que promovem ganhos e melhorias ao cidadão e à sociedade.

No exemplo mencionado acima, a decisão de construção de um Centro de Saúde público, deve ser avaliada sob a ótica da relação benefício/custo – isso implica na consideração do benefício intangível que essa obra proporcionará à comunidade após a sua entrega e início da operação, em comparação com a estimativa do valor do orçamento de custos aplicado na obra propriamente dita. Trata-se de uma decisão complexa nas mãos do executivo autorizador, pois estará comparando um benefício intangível, necessário e eticamente defensável, contra o fator tangível dos recursos monetários para realizar a obra. Um bilhão de reais aplicados pelo Ministério da Saúde na construção de Centros de Saúde devem ser comparados à melhoria proporcionadas ao atendimento médico e à saúde da população atendida.

Mas, nem só a relação benefício/custo da realização da obra deve ser considerada pelo estudo de viabilidade. Existe um outro fator tangível, monetário, que deve ser quantificado e priorizado na equação de autorização de uma obra. Trata-se da avaliação da viabilidade operacional do “bem” construído, após a sua entrega.

Voltando ao exemplo acima, o executivo autorizador do investimento – neste caso, o Ministério da Saúde – deveria ter se perguntado: O estado (ou o município) que receberá o Centro de Saúde, dispõe de recursos humanos qualificados para manter a sua operação? Qual é o custo dessa operação? Existe “espaço” no orçamento estadual/municipal para manter essa operação? As despesas de operação do novo Centro de Saúde estão sendo consideradas no planejamento orçamentário do estado/município agraciado com a obra? Esses números deveriam ter sido estimados e viabilizados, antes da autorização para o início da obra.

Enfim, faz parte do estudo de viabilidade técnica, econômica e financeira do projeto de construção a avaliação da viabilidade de sua operação. A desconsideração dessa informação obscurece e distorce a racionalidade da decisão de aprovação da obra, incorrendo em desmandos e afrontas ao bom uso do recurso público. Tal como levantado pela reportagem mencionada acima, de que adianta o investimento de 1 bilhão de reais se a população não está usufruindo dos benefícios das novas UPAS e Centros e Saúde? Esse caso se traduz, indiscutivelmente, pela desconsideração ao recurso público proporcionada pela falta de planejamento.

Por: Alonso Mazini Soler, D.ENG.

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PARALISIA GERAL. SEM OBRAS PÚBLICAS DE INFRAESTRUTURA, NÃO HÁ FUTURO!

maio 8, 2017

Os resultados da Operação Lava Jato, suas derivações e congêneres, que têm dado transparência ao maior escândalo de corrupção sistêmica do país, estão permitindo à Controladoria Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) a aplicação de sanções, através da declaração de inidoneidade, às maiores construtoras do país. Na prática, isso significa que tais empresas estão proibidas de firmar contratos com o Governo Federal para a realização de obras, ressalvando-se, os termos de mitigação de penalidades decorrentes dos acordos de leniência promovidos pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

Se, por um lado, as sanções impostas às construtoras nacionais fortalecem a sensação da aplicação do direito e da legalidade, por outro, deixam consequências avassaladoras à economia.

 

Fragilizadas em suas finanças e em sua reputação nacional e internacional, sem a possibilidade de captar novos contratos e financiamentos públicos, as construtoras se vêm obrigadas a reduzir e adaptar o tamanho de sua operação, vender ativos, promover demissões em massa e a destruir o seu patrimônio intangível, fundamentado no acervo de conhecimentos técnicos e gerenciais de seu capital humano.

 

Por outro lado, o Governo Federal, reconhece que necessita retomar rapidamente as grandes obras de infraestrutura, sob o risco de, em não o fazendo, comprometer o crescimento econômico futuro do país, aprofundar os níveis alarmantes de desemprego (14 milhões de desempregados) e reduzir, ainda mais, a arrecadação de impostos gerados pela produção. Não parece viável, ainda, a abertura do mercado para construtoras estrangeiras, uma vez que reformas constitucionais complexas teriam que ser aprovadas pelo congresso para que estas pudessem se adaptar as nossas legislações trabalhistas, fiscal e contábil, geralmente arcaicas e improdutivas.

 

Outro player que merece atenção são os agentes financeiros. Inidôneas, as construtoras nacionais estão impedidas de dispor de financiamento público pelos agentes de fomento – por força de lei, o BNDES, por exemplo, não pode autorizar novos empréstimos à elas mesmo que disponha do capital e que vislumbre, nas grandes obras de infraestrutura, o perfeito alinhamento estratégico com a sua missão desenvolvimentista, geradora de empregos e redutora de desigualdades sociais e regionais. Já os financiamentos privados, geralmente usados como aporte inicial para as obras (empréstimos ponte), tornam-se inviáveis quando desvinculados da garantia de financiamentos de longo prazo do BNDES. Fato que se sustenta na insegurança jurídica do país, na taxa Selic que, ultimamente, gira em torno de 14% a.a. e no score de risco prejudicado da construtora, considerada inidônea, tomadora do empréstimo. A falta de aporte de capital de terceiros, encarece do custo do capital dos projetos das construtoras, inviabilizando as obras e paralisando a economia.

 

Vale a pena, ainda, mencionar as seguradoras, protagonistas do projeto de lei do seguro garantia (performace bonds) que as posiciona como corresponsáveis pela conclusão integral das obras em nome dos agentes públicos beneficiários do seguro. Sob sua ótica, o prêmio do seguro, solicitado por um tomador considerado inidôneo pelo Governo Federal tende a ser um inviabilizador da realização da obra.

 

Enfim, a ninguém interessa o encolhimento das grandes construtoras, a destruição da indústria da construção nacional, a interrupção dos repasses do BNDES ou a paralisia das obras de infraestrutura do país.  Assim como, a ninguém interessa a continuidade do modelo histórico viciado, revelado pela Operação Lava Jato. Portanto, resta a busca e a proposição de uma solução represente algo novo – um modelo de rápida aplicação, pautado na eficiência da realização das obras e na garantia de seu desempenho, na governança ética e robusta à atos de corrupção, no atendimento às leis (compliance) e na transparência. Quem se habilita a encaminhar essa discussão?

 

Por: Alonso Mazini Soler, D.ENG. – Pós Graduação, Insper

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INGENUIDADE, LOUCURA OU VISÃO? INVESTIR NA ABERTURA DE UMA EMPRESA, DO SEGMENTO DE CONSTRUÇÃO, EM TEMPOS DE LAVA JATO

abril 17, 2017

Por: Alonso Mazini Soler, D.Eng.

 Estou embarcando em uma nova empresa, a SCHÉDIO ENGENHARIA CONSULTIVA.

Meu ingresso foi pautado em uma leitura crítica e otimista, pessoal, de uma provável nova dinâmica do segmento de construções no país. Acredito que, passada a fase de intensa turbulência e insegurança, provocadas pelas operações institucionais, providenciais e alentadoras, que nos denunciaram a impropriedade das históricas relações mantidas entre empreiteiros e agentes públicos, e que culminaram, temporariamente, na paralisação das contratações e financiamentos de novas obras e na demissão massiva de trabalhadores valorosos, cabe ao país promover a repulsa ao modelo nocivo revelado e alicerçar a reconstrução do segmento dirigindo o foco para a descartelização (novos e menores players, especialização de competências e internacionalização), a priorização da eficiência na condução das obras em detrimento de embaraços contratuais escusos, a implantação de planejamento e controles mais profundos e rigorosos e, principalmente, a ampla transparência à situação de desempenho dos contratos.

Novas obras públicas serão retomadas em breve – o país não prescinde delas, principalmente no âmbito da infraestrutura (água, saneamento, energia e transporte) e das edificações funcionais básicas (educação e saúde) que, em última instância, sustentam o crescimento econômico e, consequentemente, as expectativas e esperanças da sociedade. Essa retomada vai exigir a presença de empresas com um novo perfil, oxigenado pelos ares da mudança e pautado na governança, na competência, na ética e no comprometimento com a sociedade e com o país.

A SCHÉDIO ENGENHARIA CONSULTIVA se dispõe a ser uma protagonista atenta e operante dessa retomada, oferecendo um portfólio de serviços enraizado nas necessidades prementes da nova dinâmica. Uma empresa parceira, idônea e independente, que anseia pela prosperidade, mas não a qualquer custo. Uma gerenciadora, experiente, competente e ética – essa é a minha aposta.

Retomando o título deste artigo, só o tempo dirá se a minha decisão de investimento foi ingenuidade, loucura ou visão afiada de negócios. Mas qualquer que seja a resposta que ele nos reservar, diante mão, já posso me considerar vencedor, apenas por embarcar no sonho de apoia a mudança, para melhor, do país.

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CRÍTICA À CONDUÇÃO DO PROJETO ENEM-2010

novembro 12, 2010

Nos últimos dias tenho feito uso das redes sociais para manifestar minha posição crítica acerca dos fatos lamentáveis ocorridos na aplicação da prova do ENEM-2010. Deixo claro que não tenho a intenção de polemizar e, tampouco, tecer críticas políticas partidárias maniqueístas sobre a essência do exame, mas de me ater aos aspectos pragmáticos da execução desastrosa de um projeto de âmbito nacional que afeta a vida e a esperança de milhões de jovens brasileiros.

Não desabono a existência do exame. Pelo contrário, admito e defendo o ENEM como um grande avanço em relação à democratização do acesso ao ensino público superior, ao mesmo tempo em que promove a integração nacional e o nivelamento das nossas diferenças culturais e geográficas. Quando poderíamos pensar que um bom estudante de Roraima, desprovido de maiores recursos, poderia cogitar pleitear uma vaga numa universidade pública no Rio Grande do Sul, ou vice versa? Que bom para o estudante, para os professores, para os colegas, para a universidade e para a comunidade que o acolhe. Juntos aprenderão a aceitar e conviver com o espectro diverso da nossa população. 

Não se trata ainda, simplesmente, de uma crítica vazia às ações corretivas que o Ministério vem defendendo veementemente na mídia, propondo a aplicação de provas substitutivas apenas àquela parcela de candidatos que foi diretamente impactada pelo problema da inversão de gabaritos. Reconheço que se estivesse ‘nos sapatos’ do Ministro, também estaria procurando soluções que minimizassem os impactos políticos, midiáticos, econômicos, logísticos e psicológicos (para os candidatos) dessas ações – Penso que ele tem o dever de apresentar seus planos corretivos imediatamente.

Contudo, acredito que direcionar o foco do posicionamento oficial apenas ao plano das ações corretivas emergenciais acarreta o acobertamento do fato de que, definitivamente, erros grosseiros aconteceram durante a aplicação da prova, provenientes, quem sabe, de incompetência administrativa, ação criminosa ou simplesmente devido ao acaso. Ou, quem virá a saber, se não partirmos para uma investigação administrativa adequada que possa deixar um legado de lições aprendidas? É nesse ponto que reside a minha indignação e crítica ao pronunciamento oficial do Ministério (ou à falta desse). Deixar de analisar os erros havidos com certo grau de profundidade (Quem os cometeu ? Como aconteceram ? Por que aconteceram?) e tomar ações mitigatórias contundentes para que não mais voltem a acontecer, implica na aceitação de uma situação de ineficiência administrativa que, considero  inadmissível. 

Como um profissional de projetos experiente, facilmente consigo identificar no ENEM as características fundamentais de um projeto: temporário, resultados exclusivos e sujeito à elaboração progressiva. Consigo ainda perceber o alto grau de complexidade e a importância estratégica desse projeto para o país, indicações mais que suficientes para a recomendação de alta prioridade e de uma gestão rigorosamente diligente da sua execução. Entretanto, ao tomar conhecimento dos problemas grosseiros, quase infantis, havidos na aplicação da prova, tenho a sensação de que a gestão do projeto ENEM não foi feita com o devido rigor e competência que haveria de se esperar.  

Tecnicamente falando, questiono se foi elaborada uma EAP (Estrutura Analítica de Projeto) adequada? Se o plano do projeto (se é que houve um plano) contemplou a elaboração de uma análise abrangente de interessados? De uma análise de riscos? Se esses riscos foram devidamente mitigados através de ações preventivas? Se os fornecedores contratados foram escolhidos por critérios de competência histórica? Se os contratos previam cláusulas devidas de segurança da informação e redundâncias das operações? Se houve monitoramento e controle adequado das atividades do projeto? Se houve diligenciamento das atividades atribuídas aos fornecedores? 

A meu ver, avaliando apenas as informações que nos chegam da mídia e, por isso, correndo o risco de tecer críticas infundadas, considero que esse projeto foi mal gerenciado, produzindo o catastrófico resultado que vem sendo desenrolado. 

Isso me leva a questionar não apenas a competência de quem esteve à frente e gerenciou o projeto, mas, sobretudo, a importância que a ele foi dada pelo Ministério ou a importância que vem sendo dada ao trato com a coisa pública pelo governo. Parece fácil alegar que a prova poderá ser repetida quantas vezes for necessária, mas, quem pagará a conta desta e das próximas demonstrações de ineficiência? Obviamente nós, os contribuintes. Sem contar que as críticas mais contundentes serão rechaçadas sob a alegação de fundamentação política partidária. Será que é só isso que importa na construção de um país mais cidadão?

E o que dizer aos candidatos? Jovens que vêm se preparando durante todo o ano, acalentando o sonho de entrar numa faculdade e vislumbrar uma vida melhor. Jovens que, provavelmente, em sua grande maioria, e pela idade, se encontram num turbilhão de transformações hormonais, bombardeados e pressionados pelas exigências psicológicas e sociais da escolha da profissão, agravados pelo fato de muitos ainda não estarem suficientemente maduros para tal, são colocados gratuitamente frente a mais este desafio. Eles não merecem tamanha negligência! 

Como entusiasta da eficiência administrativa e como cidadão, defendo aqui a proposta de uma avaliação meticulosa dos fatos havidos com o ENEM-2010 (post mortem), que se preste a alimentar a melhoria contínua da qualidade da gestão dos projetos públicos e de seus conseqüentes retornos.   

Alonso Mazini Soler

Profissional de Projetos