PDRI – A AUTOAVALIAÇÃO QUE REDUZ RISCOS DO PROJETO

setembro 18, 2017

Entrevista publicada no portal Construmanager AECweb / e-Construmarket

Revista Digital de Gestão de Projetos e Obras

 

Ao utilizar a ferramenta PDRI, os responsáveis pelo projeto respondem à questões para verificar o grau de definição do empreendimento e, só então, se habilitam a licitar a construtora.

 

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP e Professor da Pós Graduação do Insper – alonso.soler@schedio.com.br

 

https://www.aecweb.com.br/cont/m/cm/pdri-a-autoavaliacao-que-reduz-riscos-do-projeto_16253

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PMO E PORTFÓLIOS DE PROJETOS NAS EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO

agosto 27, 2017

No post anterior da série (https://blogdosoler.wordpress.com/2017/08/14/pmos-a-implantacao-de-escritorios-de-gerenciamento-de-projetos-nas-empresas-do-segmento-da-construcao/) este blog  conceituou PMO e postulou a importância de sua implantação nas empresas do segmento de construção (Empreiteiras, Construtoras, Montadoras, Empresas de Engenharia e seus Consórcios) visando, principalmente, aproveitar o momento de redefinição da dinâmica dos negócios no país, pautado na adoção de boas práticas de governança corporativa: responsabilidade corporativa (compliance), transparência (disclosure), prestação de contas (accountability) e equidade (fairness).

O portfólio de projetos externos

A continuidade dessa análise se estende ao reconhecimento da variedade e diversificação dos portfólios de projetos de uma empresa do segmento. Uma Empreiteira, Construtora, Projetista, etc., são organizações que sobrevivem da venda e da entrega adequada de um conjunto de projetos externos (dirigidos para os clientes contratantes), geralmente independentes e dotados de certa autonomia de gestão. Das entregas realizadas e das medições aceitas de cada um desses projetos individuais advém a receita da empresa e, consequentemente, os resultados financeiros consolidados, almejados por seus Acionistas – razão pela qual o segmento da construção, historicamente, prioriza os “meios” e “modos” de gestão dos projetos externos (obras) afinal, “projetos bem executados implicam no reconhecimento de melhores resultados financeiros”.

Os portfólios de projetos internos

Entretanto, não é apenas o portfólio de projetos externos que requer esforços de gestão, recursos e prioridades de uma empresa do segmento da construção. Resultante do seu Planejamento Estratégico (PE) periódico, essas empresas identificam e autorizam diversas iniciativas, sob a forma de projetos isolados e programas, que demandam investimentos próprios dirigidos às ações de mudança organizacional, crescimento e/ou adaptação ao mercado. Assim, coexistem dentro da empresa, outros tipos de portfólios de projetos, de cunho e aplicação interna, segmentados de maneira específica – seja por unidades funcionais, pela magnitude do investimento, ou por outros critérios pertinentes adotados. Exemplos típicos são os projetos de interesses estratégicos corporativos, projetos de investimento e expansão de capital, projetos de implantação de sistemas e infraestrutura de Tecnologia da Informação (TI), projetos de desenvolvimento de pessoal, projetos de ampliação do atendimento geográfico, projetos de inovação, etc.

Gerador de receitas ou indutor de despesas

A diferença entre o portfólio de projetos externos e os portfólios de projetos internos de uma empresa do segmento da construção, assim como o é em qualquer outra organização, reside no fato de que o primeiro se constitui no principal (e, às vezes, único) “gerador de receitas” da empresa, e o segundo é tido como um “indutor de despesas” (ou melhor, de “investimentos” – que potencialmente poderão beneficiar a empresa de algum modo mensurado como retorno, tangível ou intangível), razão pela qual a prioridade da empresa, em termos de gestão de projetos, acaba recaindo notadamente sobre o portfólio externo.

O portfólio comercial – funil de vendas

Um terceiro tipo comum de portfólio de projetos, coabita as empresas do segmento da construção e pode ser classificado como um híbrido entre o portfólio  externo e o interno. Trata-se do portfólio comercial (funil de vendas), cujos projetos possuem um ciclo de vida que começa na relação com o mercado e prospecção de negócios, passa pela elaboração e negociação de uma proposta/orçamento (que, dependendo da magnitude e complexidade da obra envolvida, deve que ser tratada como projeto exclusivo, por si) e se encerra na consequente captação do negócio e assinatura de um contrato de prestação de serviços. Esse tipo de projeto geralmente é considerado, do ponto de vista organizacional, como um “indutor de despesas” (investimentos), tal como os projetos internos, mas que tem motivação associada diretamente à definição do portfólio de projetos externos “geradores de receitas” e, por isso, ele não tem sido negligenciado, ainda que nem sempre, tem sido bem gerenciado. Geralmente esse portfólio reside, funcionalmente, em uma Diretoria Comercial que dispõe de um orçamento anual previamente fixado para a realização de sua missão. O retorno do investimento de um projeto comercial é contabilizado pelo cálculo do quociente entre o sucesso das captações (e as condições negociadas) dividido pelo custo da elaboração da proposta/negociação – win rate (ou, win ratio).

Um PMO para cada tipo de portfólio ?

Considerações feitas acerca dos três diferentes tipos de portfólios de projetos (externo, interno e comercial) vale retomar a reflexão acerca vinculação entre a gestão adequada de cada um dos projetos que os compõem e a potencial contabilização dos resultados consolidados para o negócio, almejados pelos Acionistas. De fato, o erro que se percebe nas empresas do segmento da Construção, geralmente, é a priorização dos projetos externos (obras) em detrimento dos demais portfólios, que costumam ser negligenciados em termos de gestão. Consequentemente, tais empresas deixam de extrair todos os benefícios que o gerenciamento de projetos poderia lhes proporcionar.

Esta conclusão expõe a possibilidade das empresas do segmento da construção implantarem PMOs específicos em suas estruturas organizacionais, capazes de apoiar e conduzir ações dos diferentes tipos de portfólio de projetos dispostos e visando a obtenção de maior eficiência no uso dos recursos e, consequentemente, maior eficácia dos resultados de negócios almejados. Obviamente, a implantação de PMOs numa empresa deve ser avaliada à luz de sua viabilidade (Benefícios x Custos) considerando tratar-se de um centro de despesas e não de um centro de receitas.

 

PORTFÓLIO DE PROJETOS RETORNO (EFICÁCIA)
   Externo    Resultados financeiros
   Interno    Mudanças organizacionais efetuadas
   Comercial    Captação de negócios – win rate

 

A tabela acima ilustra os diferentes tipos de portfólios de projetos de uma empresa da Indústria da Construção e seus principais retornos esperados. O cálculo do Retorno do Investimento (ROI) da implantação de um PMO será abordado na sequência desta série de posts.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP e Professor da Pós Graduação do Insper – alonso.soler@schedio.com.br


PMOS – A IMPLANTAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS NAS EMPRESAS DO SEGMENTO DA CONSTRUÇÃO

agosto 14, 2017

Do ponto de vista estrutural, um Escritório de Gerenciamento de Projetos (PMO) é um elemento formal do organograma de uma organização, geralmente com vínculo de suporte/consultoria (lateral) a uma organização funcional executiva e que responde pelo apoio à gestão (planejamento, monitoramento e controle da execução) dos projetos dessa organização. Uma empresa pode dispor de mais do que um PMO em sua estrutura, dependendo do organograma, especificidades e prioridade dos projetos de suas unidades organizacionais.

 

A implantação de PMOs tem sido considerada uma boa prática de gestão que vem ganhando notoriedade com o reconhecimento de seu valor agregado (baixo investimento e alto potencial de retorno relativos) relacionado ao ganho de eficiência na condução dos projetos da organização e na consequente potencialização dos resultados de negócio deles esperados. Uma vasta literatura, apoiada sobre pesquisas relevantes, reconhece o papel do PMO como notório contribuinte do sucesso das organizações atuais, bem como esmiúça as especificidades de sua caracterização (responsabilidades e autoridades) e as diretrizes e nuances de sua implantação – a implantação de um PMO não é considerada um modismo organizacional, mas sim uma prática consolidada: bem definida, testada, bem-sucedida e altamente recomendada. Atualmente as principais empresas nacionais e internacionais, dos mais variados segmentos e portes, já dispõem de PMOs em suas estruturas e têm conseguido capitalizar os resultados de sua atuação.

 

Apesar disso, de modo geral, a Indústria da Construção no Brasil (termo dirigido às empresas prestadoras de serviços: Construtoras, Montadoras, Empreiteiras, Empresas de Engenharia e seus Consórcios) foi cautelosa e morosa na adesão à ideia da implantação de seus PMOs, supostamente, devido ao esforço necessário na promoção de mudanças culturais e no modo de gestão tradicional de seus projetos. Conservadorismo típico das empresas do segmento? Falta de entendimento adequado dos benefícios potenciais da atuação de um PMO? Priorização dos processos fim (relacionados com a engenharia e a construção, em si) em detrimento dos processos de gestão das obras? Enfim, qualquer que seja a justificativa, o fato é que a Indústria da Construção no Brasil não estava fazendo, até pouco temo atrás, o uso mais adequado do potencial de melhoria de resultados oferecido pela implantação de PMOs.

 

A mudança de prioridade tornou-se óbvia no momento em que o segmento passou a precisar adotar práticas de governança corporativa alicerçadas nos quatro princípios fundamentais:  a responsabilidade corporativa (compliance), a transparência (disclosure), a prestação de contas (accountability) e a equidade (fairness). A necessidade de se enfatizar a eficiência nas obras e de se prover maior transparência aos resultados de desempenho, forçaram as empresas do segmento a implantar seus PMOs de modo acelerado e efetivo. Atualmente, não há empresa do setor que não disponha de PMOs em funcionamento ou que não esteja em processo de concepção de um deles.  

 

Não há modelo único que sintetize a abrangência das responsabilidades de um PMO mas, de modo geral, trata-se de uma entidade capaz de estruturar os elementos metodológicos de Planejamento & Controle das obras e apoiar a sua implantação em prol da potencialização dos resultados (efici6encia e eficácia), além de propiciar a visibilidade do desempenho.

 

De forma genérica, os “modos e meios” adequados aplicáveis ao Gerenciamento dos Projetos de Construção deveriam atentar para as complexidades derivadas do atendimento conjunto e simultâneo de dos seguinte requisitos: (i) exigências legais e normativas vigentes, (ii) exigências contratuais específicas oriundas do Cliente, (iii) recomendações e exigências corporativas de monitoramento & controle e (iv) recomendações e exigências de monitoramento & controle pactuadas pelas partes consorciadas (quando for o caso).

 

O PMO passou a ser visto, assim, como a solução de governança para o atendimento adequado de todas essas exigências/recomendações que, de modo geral, recaem sobre a elaboração de um conjunto de práticas padrão/metodologia (fluxos de processos, procedimentos formais, padrões de documentos e relatórios, ferramentas de sistemas comuns, etc.) que equalizam as demandas e nivelam as expectativas de informação e de potencialização de interesses de todas as partes envolvidas: (i) a elaboração adequada das componentes do plano de gestão do projeto (EAP, Cronograma físico, Orçamento de Custos, Cronograma Financeiro, Histogramas de Recursos e de Equipamentos, Análise dos Riscos, etc.) e, (ii) o monitoramento e o controle da execução da obra, por meio de dados e informações precisos acerca do avanço físico, medições das entregas, apontamento de uso/consumo de recursos e equipamentos, consolidação de custos, cálculo de produtividades, consolidação financeira, gestão das mudanças, monitoramento dos riscos, etc.

 

Considerando o momento de mudança estruturais pelo qual passa o segmento de construção e diante da paralisia temporária do setor, este parece ser o timming ideal de investimentos na reflexão sobre o tema e na disposição de recursos voltados ao aprimoramento dos “modos e meios” de gestão de projetos. A implantação de PMOs nas empresas da Indústria da Construção já não é mais uma promessa distante, mas sim, faz parte da solução e da nova realidade operacional do setor.

 

Por:

 

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP e Professor da Pós Graduação do Insper – alonso.soler@schedio.com.br


Corrida de São Silvestre Usando a Corrente Crítica – post #7

janeiro 6, 2011

Resultados Obtidos

É “Dia de Reis” de 2011. Passados sete dias da Corrida de São Silvestre 2010 e da utilização do Método da Corrente Crítica no acompanhamento e controle de meu desempenho na prova, é chegada a hora de fazer um balanço dos resultados alcançados.

Em primeiro lugar quero enviar um agradecimento especial ao Fábio Vampel e ao Vitório Cabral que se voluntariaram a passar as últimas horas de 2010 trabalhando no ‘war room’ do projeto – vocês foram brilhantes! Muito obrigado. Quero ainda estender o agradecimento aos diversos amigos que acompanharam ‘on line’ o desenrolar da corrida e do acompanhamento do meu desempenho através do Twitter. Me senti um legítimo BBB (éca!).

Vamos diretamente aos resultados e depois, num outro post, às conclusões e às lições aprendidas.

Rememorando o planejamento original, o projeto foi definido através da seqüência de 14 trechos dependentes pela relação FS (Finish to Start) e estimativas de tempo refletindo meu melhor desempenho histórico em treinos (Tempo Basal – agressivo) e um Fator Deflator associado ao nível de complexidade de cada trecho (post # 3). Pelo plano original, meu compromisso de término da prova foi estabelecido em 1 hora e 44 minutos. A Tabela 1 abaixo ilustra o plano original.

TABELA 1: Plano Original

Posteriormente, as estimativas originais de tempo de cada trecho foram divididas em duas partes: a nova estimativa de tempo para o trecho sem as proteções probabilísticas (tempo ‘enxuto’) e uma componente de contribuição para o Pulmão do Projeto (post # 4). O novo cronograma em Corrente Crítica passou a totalizar 45 minutos de tempo efetivo para o cumprimento dos 14 trechos, acrescido de 59 minutos de Pulmão do Projeto. Observem que eu havia adotado a divisão 50/50 para a extração das proteções dos tempos originais, mas o aplicativo que usei para calcular a Corrente Crítica não reconhece os décimos de minutos na coluna de durações, portanto, o novo cronograma ficou menor do que o Pulmão do Projeto. Observe ainda que eu tomei a decisão de integrar TODA a proteção extraída dos tempos originais ao Pulmão do Projeto – isso não é estatisticamente necessário, entretanto, é uma forma bastante adequada de convencimento ao leigo em CCPM. Em suma, meu compromisso de término da prova permaneceu inalterado em 1 hora e 44 minutos. A Tabela 2 abaixo ilustra o plano em Corrente Crítica.

TABELA 2: Plano em Corrente Crítica

O procedimento de controle do projeto foi definido do seguinte modo:

1) Pelo celular eu comuniquei ao ‘war room’ o momento exato de passagem pelo 1º tapete de largada e o cronômetro foi disparado;

2) O ‘war room’ me informava o número do trecho, a duração e o marco físico de término. Por exemplo, no trecho 1, o ‘war room’ me dizia: “Trecho 1. Distância hum Quilômetro. Até o início da Rua da Consolação”;

3) Ao cruzar o marco de término do trecho, eu comunicava ao ‘war room’ o momento exato de passagem e o cronômetro era parado no contador de voltas (laps);

4) O ‘war room’ inseria o avanço físico de 100% do trecho e o tempo real de execução no aplicativo Prochain e calculava o consumo do pulmão;    

5) O ‘war room’ me informava o desempenho no trecho através dos seguintes indicadores: Tempo real e tempo estimado do trecho, consumo de pulmão percentual acumulado até o trecho e fator de consumo até o trecho (quociente entre o % avanço físico e % de consumo de pulmão)

6) De posse das informações recebidas, eu tomava as ações necessárias para manter o projeto dentro do cronograma, ou seja, eu administrava o meu ritmo e a minha corrida.

7) A cada trecho repetiram-se os passos 2 a 6, até o final da prova. 

As Tabelas 3 e 4 abaixo ilustram o meu desempenho real durante a prova.

TABELA 3: Indicadores Primários de Controle

TABELA 4: Indicadores Consolidados de Controle

Em suma, terminei a corrida em 1 hora e 25 minutos, 19 minutos a menos do que o que eu havia me proposto fazer – saldo remanescente do Pulmão do Projeto. Isso corresponde ao uso de 66% (dois terços) do Pulmão do Projeto e economia de um terço.

A simplicidade das informações de controle que eu recebia ‘on line’ (e o meu desempenho surpreendentemente acima do normal naquele dia) me mostrou, a todo o momento, que eu estava acima da meta e que eu terminaria a corrida bem antes do tempo combinado – a menos de um acidente, ou de uma queda significativa de desempenho nos últimos trechos, a propósito, os mais difíceis (a subida da Avenida Brigadeiro Luis Antônio).

Desde o primeiro relato de desempenho recebido do ‘war room’, apontando que eu estava consumindo menos pulmão do que avançava fisicamente, minha meta deixou de ser terminar a prova em 1 hora e 44 minutos e passou a ser terminar a prova no menor tempo possível.

E essa é a grande vantagem do uso do Método da Corrente Crítica na gestão dos projetos: Não é a simples aplicação da CCPM que fará o projeto terminar no prazo, ou antes. Mas sim a motivação da equipe de gestão para tomar ações de controle, diante da objetividade, simplicidade e presteza das informações de monitoramento que o método oferece. 

No próximo post, tal como sempre deve ser feito em qualquer projeto, comentarei sobre as lições aprendidas deste projeto.  

Alonso Mazini Soler, PMP – Profissional de Projetos, Professor de MBAs e Autor de livros de Gerenciamento de Projetos


CRÍTICA À CONDUÇÃO DO PROJETO ENEM-2010

novembro 12, 2010

Nos últimos dias tenho feito uso das redes sociais para manifestar minha posição crítica acerca dos fatos lamentáveis ocorridos na aplicação da prova do ENEM-2010. Deixo claro que não tenho a intenção de polemizar e, tampouco, tecer críticas políticas partidárias maniqueístas sobre a essência do exame, mas de me ater aos aspectos pragmáticos da execução desastrosa de um projeto de âmbito nacional que afeta a vida e a esperança de milhões de jovens brasileiros.

Não desabono a existência do exame. Pelo contrário, admito e defendo o ENEM como um grande avanço em relação à democratização do acesso ao ensino público superior, ao mesmo tempo em que promove a integração nacional e o nivelamento das nossas diferenças culturais e geográficas. Quando poderíamos pensar que um bom estudante de Roraima, desprovido de maiores recursos, poderia cogitar pleitear uma vaga numa universidade pública no Rio Grande do Sul, ou vice versa? Que bom para o estudante, para os professores, para os colegas, para a universidade e para a comunidade que o acolhe. Juntos aprenderão a aceitar e conviver com o espectro diverso da nossa população. 

Não se trata ainda, simplesmente, de uma crítica vazia às ações corretivas que o Ministério vem defendendo veementemente na mídia, propondo a aplicação de provas substitutivas apenas àquela parcela de candidatos que foi diretamente impactada pelo problema da inversão de gabaritos. Reconheço que se estivesse ‘nos sapatos’ do Ministro, também estaria procurando soluções que minimizassem os impactos políticos, midiáticos, econômicos, logísticos e psicológicos (para os candidatos) dessas ações – Penso que ele tem o dever de apresentar seus planos corretivos imediatamente.

Contudo, acredito que direcionar o foco do posicionamento oficial apenas ao plano das ações corretivas emergenciais acarreta o acobertamento do fato de que, definitivamente, erros grosseiros aconteceram durante a aplicação da prova, provenientes, quem sabe, de incompetência administrativa, ação criminosa ou simplesmente devido ao acaso. Ou, quem virá a saber, se não partirmos para uma investigação administrativa adequada que possa deixar um legado de lições aprendidas? É nesse ponto que reside a minha indignação e crítica ao pronunciamento oficial do Ministério (ou à falta desse). Deixar de analisar os erros havidos com certo grau de profundidade (Quem os cometeu ? Como aconteceram ? Por que aconteceram?) e tomar ações mitigatórias contundentes para que não mais voltem a acontecer, implica na aceitação de uma situação de ineficiência administrativa que, considero  inadmissível. 

Como um profissional de projetos experiente, facilmente consigo identificar no ENEM as características fundamentais de um projeto: temporário, resultados exclusivos e sujeito à elaboração progressiva. Consigo ainda perceber o alto grau de complexidade e a importância estratégica desse projeto para o país, indicações mais que suficientes para a recomendação de alta prioridade e de uma gestão rigorosamente diligente da sua execução. Entretanto, ao tomar conhecimento dos problemas grosseiros, quase infantis, havidos na aplicação da prova, tenho a sensação de que a gestão do projeto ENEM não foi feita com o devido rigor e competência que haveria de se esperar.  

Tecnicamente falando, questiono se foi elaborada uma EAP (Estrutura Analítica de Projeto) adequada? Se o plano do projeto (se é que houve um plano) contemplou a elaboração de uma análise abrangente de interessados? De uma análise de riscos? Se esses riscos foram devidamente mitigados através de ações preventivas? Se os fornecedores contratados foram escolhidos por critérios de competência histórica? Se os contratos previam cláusulas devidas de segurança da informação e redundâncias das operações? Se houve monitoramento e controle adequado das atividades do projeto? Se houve diligenciamento das atividades atribuídas aos fornecedores? 

A meu ver, avaliando apenas as informações que nos chegam da mídia e, por isso, correndo o risco de tecer críticas infundadas, considero que esse projeto foi mal gerenciado, produzindo o catastrófico resultado que vem sendo desenrolado. 

Isso me leva a questionar não apenas a competência de quem esteve à frente e gerenciou o projeto, mas, sobretudo, a importância que a ele foi dada pelo Ministério ou a importância que vem sendo dada ao trato com a coisa pública pelo governo. Parece fácil alegar que a prova poderá ser repetida quantas vezes for necessária, mas, quem pagará a conta desta e das próximas demonstrações de ineficiência? Obviamente nós, os contribuintes. Sem contar que as críticas mais contundentes serão rechaçadas sob a alegação de fundamentação política partidária. Será que é só isso que importa na construção de um país mais cidadão?

E o que dizer aos candidatos? Jovens que vêm se preparando durante todo o ano, acalentando o sonho de entrar numa faculdade e vislumbrar uma vida melhor. Jovens que, provavelmente, em sua grande maioria, e pela idade, se encontram num turbilhão de transformações hormonais, bombardeados e pressionados pelas exigências psicológicas e sociais da escolha da profissão, agravados pelo fato de muitos ainda não estarem suficientemente maduros para tal, são colocados gratuitamente frente a mais este desafio. Eles não merecem tamanha negligência! 

Como entusiasta da eficiência administrativa e como cidadão, defendo aqui a proposta de uma avaliação meticulosa dos fatos havidos com o ENEM-2010 (post mortem), que se preste a alimentar a melhoria contínua da qualidade da gestão dos projetos públicos e de seus conseqüentes retornos.   

Alonso Mazini Soler

Profissional de Projetos


Fórum de discussão: “A Geração Y na Gestão de Projetos”

agosto 27, 2010

Amigos,

Estou iniciando a coordenação de um fórum de discussão sobre a “Geração Y na Gestão de Projetos”. Nosso objetivo é fomentar discussões sobre a chegada desses profissionais no mercado de trabalho e, conseqüentemente, nas equipes de projetos. Queremos abordar questões específicas como:

  • Ela é mais produtiva ?
  • É uma geração sem foco?
  • Como esta nova geração consome a informação ?
  • Como as gerações anteriores, os ‘Baby Boomers’ e a ‘Geração X’ deve entender e se relacionar com a geração Y?
  • As gerações anteriores estão de fato fadadas a perderem suas posições nos projetos?
  • Como seria um Gerente de Projeto Y ?

Se tiver interesse, inscreva-se no fórum, participe e ajude-nos a debater estes e outros questionamentos.

http://groups.google.com/group/geracaoynagestaodeprojetos?hl=pt-BR

Um forte abraço,

Alonso Soler

Twitter: @alonsosoler


Geração Y na Gestão de Projetos

agosto 24, 2010

http://groups.google.com/group/geracaoynagestaodeprojetos?hl=pt-BR

Seja Bem Vindo ao Grupo de Discussões Geração Y na Gestão de Projetos,

Nosso objetivo com este grupo é fomentar discussões sobre a chegada da Geração Y nas empresas e conseqüentemente nas equipes de Gestão de Projetos, questionamentos como:
  • Como esta nova Geração consome a informação?
  • Ela é mais produtiva?
  • É uma Geração sem foco?
  • Como as Gerações anteriores, os Baby Boomers e a Geração X deve  entender e se relacionar com a Geração Y?
  • As gerações anteriores estão de fato fadadas a perderem suas posições nos projetos?
Partipe e ajude a debater estes questionamentos e a levantar outros.
Um abraço,
Alonso Soler