A TECNOLOGIA E O FIM DO EMPREGO

julho 16, 2018

Atualmente, a adoção de novas tecnologias no ambiente da produção e do trabalho tem sido associada às palavras mudança e disruptura, numa alusão à travessia ao novo, ao mais adaptado e ao melhor – a Indústria 4.0 veio para ficar. Nessa nova era, a tecnologia avança rapidamente sobre o emprego e devora postos de trabalho com apetite voraz.

Preocupação com o futuro do mercado de trabalho

Uma visão do que será o mercado de trabalho daqui a alguns anos assusta trabalhadores, sindicalistas, dirigentes públicos e entidades não governamentais, preocupados com o que será feito com hordas de pessoas sem emprego formal e, consequentemente, sem renda, no mundo. No Brasil, já se contam 13 milhões de desempregados, muitos deles não nativos e desatualizados tecnologicamente e, por isso, encontram dificuldades para retornar ao mercado de trabalho tal como o conheciam há tempos atrás.

A competição dos robôs por postos de trabalho

Alguns exemplos significativos, oriundos dos EUA, ilustram essa perspectiva: caminhões autônomos já cruzam o país, de costa a costa, experiência que ameaça o emprego de milhões de trabalhadores envolvidos com o transporte terrestre de pessoas e de cargas no mundo. O Porto de Los Angeles já opera integralmente sem a ajuda de Estivadores que, outrora, chegaram a somar mais de 16 mil empregados. A Amazon já opera todos os seus armazéns e centros de distribuição por meio de milhares de robôs programáveis, provocando a demissão de mais de 170 mil postos de trabalho nos últimos anos. A indústria automobilística já está quase que integralmente automatizada por robôs, assim como a FoxCom, fabricante do iPhone, que anunciou estar substituindo todos os seus funcionários humanos por robôs em suas fábricas na China. Ainda da China, percebe-se a substituição do homem pela máquina também no segmento da construção civil, através da adoção massiva de construções impressas, de fabricação e montagem de pré-moldados padronizados e com o uso de sensores automatizados em substituição a inspeções tradicionais.

Previsão apocalíptica

Numa visão estritamente econômica, o barateamento exponencial da tecnologia da informação e da robótica viabilizam a substituição da mão de obra humana operacional por robôs de controle automático, proporcionando a extinção de postos de trabalho e do emprego, criando uma visão catastrófica para o futuro do emprego e da humanidade.

Alguns dirão que essa previsão apocalíptica já foi experimentada antes, durante a revolução industrial, quando o artesão perdeu seu lugar para a máquina a vapor e para as linhas de produção, e que tudo se trata apenas de uma questão de ajuste e acomodação das habilidades do trabalhador às novas necessidades. Há ainda quem prefira considerar a situação sob a ótica do otimismo ingênuo, baseado na crença de que tudo se ajusta e se resolve naturalmente, devido a incapacidade de superação humana pela máquina – o ser humano não é, ainda, capaz de brincar de Deus e dotar a máquina de sua inteligência e humanidade.

Novas teorias sociais e econômicas

Extremismos a parte, o emprego, como fonte de geração de renda individual e de sustento familiar, nunca esteve tão ameaçado quanto tem sido atualmente, proporcionando campo fértil para a criação de novas teorias sociais e econômicas, incluindo aquelas que pressupõem o fim do trabalho humano braçal e operacional, abrigo de profissionais pouco qualificados, a prevalência do trabalho criativo de alta especialização e a remuneração assistencial da ocupação pelo ócio. Soluções que, apesar de oferecerem encaminhamentos adequados, tendem a gerar efeitos colaterais danosos, por exemplo, no que tange à discriminação entre os trabalhadores qualificados criativos e os ociosos mantidos pelo estado.

A demonização da tecnologia

De qualquer modo, a tecnologia não deveria ser demonizada por provocar ruídos na estabilidade do modelo vigente de emprego pois, por outro lado, dela advém novas possibilidades e perspectivas de trabalho diferentes e nem sequer imaginadas. O trabalho, a ocupação e as profissões serão outras, não comparáveis ao que experimentamos no passado e no presente. Sem mencionar ainda, as melhorias significativas, decorrentes de sua adoção e em favor do ser humano, aos problemas da fome, da saúde, da expectativa e da qualidade de vida, da segurança, etc.

Educação – o alicerce da edificação da nova sociedade

Apostando em uma perspectiva otimista, resta tecer considerações sobre um dos fatores que compõe o modelo geral de previsão do futuro do emprego – a Educação. Poderia ser ela o alicerce sobre o qual se edificaria uma nova sociedade e novos modelos sociais e econômicos que regulariam as relações evitando caos e catástrofe?

Trazendo a discussão para a realidade do Brasil, é notória a complexidade de se educar e se aculturar uma sociedade já tão defasada e desprovida de competência no assunto. Seria factível contar com essa Educação em extensão e prazo compatíveis aos “estragos” proporcionados ao emprego pela adoção das novas tecnologias? Uma sociedade que não conseguiu erradicar o analfabetismo e cujas estatísticas de analfabetismo funcional são alarmantes, seria capaz de reverter suas deficiências e se posicionar aceitavelmente na nova era da Indústria 4.0?

Se as respostas forem positivas, urge a ação prioritária de estender a educação aos brasileiros de modo massificado e disruptivo, com a mesma voracidade que vimos adentrar a tecnologia em nossas vidas. Só com educação sustentaremos a nossa sociedade.

Prioridade na pauta das discussões

Deve-se sim, priorizar as discussões sobre o futuro do emprego e sobre a educação mais adaptada à nova era, na pauta da sociedade, proporcionando a criação de políticas públicas afirmativas capazes de enfrentar o problema de forma ampla e eficaz. E que se faça uso da própria tecnologia em apoio à busca e ao encaminhamento dessas soluções.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Tecnologia #Trabalho #Emprego #Gestão #Blogdosoler

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INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO: EDTECHS, SOLUÇÃO E OPORTUNIDADE

julho 11, 2018

Post publicado na coluna de Alonso Soler na revista eletrônica Project Design Management – https://projectdesignmanagement.com.br/blog/edtechs-solucao-e-oportunidade/

A tecnologia é a base das mudanças que vêm acontecendo na educação de modo global representadas pelo foco no processo de aprendizagem individualizada do aluno, respeitando suas diferenças neuro e psicológicas; pela significação dos conteúdos baseada na realidade geográfica e social do aluno; pela disponibilização ampla do acesso à educação de qualidade em qualquer lugar e em qualquer tempo (on-learning) e pelo aprendizado contínuo durante toda a vida (long life learning)…

Continue a ler em https://projectdesignmanagement.com.br/?p=22721&preview=true

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Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Educação #Inovação #Edtechs #Inteligenciaartificial #IA #blogdosoler

 


O PROFESSOR ARTIFICIAL

julho 3, 2018

Post publicado na coluna de Alonso Soler na revista eletrônica Project Design Management – https://projectdesignmanagement.com.br/?p=22721&preview=true

 

Em pleno debate sobre a Educação do século XXI, muito se especula sobre o papel do novo Professor e sua provável (??!!) substituição pela máquina dotada de Inteligência Artificial (IA). Em primeiro lugar, é importante frisar que perspectivas “catastróficas” nesse sentido ainda não encontram respaldo na tecnologia vigente e muita água ainda terá que rolar antes que um algoritmo aprendente, por melhor que tenha sido programada a sua evolução, consiga superar as singularidades humanas no papel de mediador de linguagens e oportunidades educativas…

 

CONTINUE A LER EM: https://projectdesignmanagement.com.br/?p=22721&preview=true

 

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Educação #Inovação #Edtechs #Inteligenciaartificial #IA #blogdosoler


INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO: AS EDTECHS E A REVOLUÇÃO EM CURSO NA EDUCAÇÃO

junho 27, 2018

Post publicado na coluna de Alonso Soler na revista eletrônica MUNDOPM:

http://projectdesignmanagement.com.br/blog/edtech/

RESUMO: O movimento revolucionário de conquista da educação pela tecnologia já está em curso. A extensão, a rapidez e a profundidade dos benefícios potenciais da introdução das inovações tecnológicas na Educação possibilitam vislumbrar o futuro da própria educação que, certamente, vem pautado pela disposição de incríveis novos aparatos tecnológicos.

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#Educação #Inovação #Edtechs


INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO: AS DIMENSÕES DA INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO DO SEC XXI

junho 27, 2018

Post publicado na coluna de Alonso Soler na revista eletrônica MUNDOPM:

http://projectdesignmanagement.com.br/espaco-aberto/dimensoes-da-inovacao-na-educacao/

RESUMO: O debate sobre a nova educação e as inovações incrementais e disruptivas que estão e vão estimular a sua mudança está aberto. Tudo é potencialmente viável, tudo está por fazer, tudo pode ser visto sob a ótica controversa da relação benefício-custo e nada ainda é verdade. Entretanto, o segmento deve se colocar em marcha. Vale aqui a máxima de que “quem não muda, dança”.

 

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#Educação #Inovação #Edtechs