O PROTAGONISMO E A AUTONOMIA DO ALUNO NAS ABORDAGENS ATIVAS DE ENSINO

outubro 14, 2018

Reconhecer que o aluno mudou devido ao seu ingresso no ambiente digital e que, consequentemente, mudou também o seu modo de aprender, é um dos grandes desafios do professor do ensino superior na atualidade, tanto quanto, o reconhecimento de que seus métodos tradicionais de ensino foram superados e que eles devem ser adaptados e evoluídos no sentido do atendimento das demandas desse (novo) aluno.

Desse modo, o (novo) professor necessita ampliar e diversificar o seu repertório de abordagens didáticas para que sejam mais ativas, no que se refere a fazerem mais sentido e estarem adaptadas ao contexto de vida, à forma e ao ritmo de aprendizado do seu aluno.

Metodologias ativas de ensino para a aprendizagem

Bacich e Moran (2018) mencionam que as “Metodologias Ativas possibilitam transformar aulas em experiências de aprendizagem mais vivas e significativas para os estudantes da cultura digital, cujas expectativas em relação ao ensino, à aprendizagem e ao próprio desenvolvimento e formação são diferentes do que expressavam as gerações anteriores”.

Novos papeis para o professor, aluno e a escola

Nas abordagens ativas, o aluno torna-se o protagonista principal e o maior responsável pelo seu processo individual de aprendizagem, enquanto o professor, passa a mediar esse processo, através da contextualização, curadoria e construção lógica do conteúdo. O objetivo principal das abordagens ativas é incentivar o aluno a desenvolver a sua capacidade individual de aprendizagem de maneira autônoma.

Assim, a adoção de abordagens ativas no processo de ensino-aprendizagem, pressupõe a mudança de papeis da tríade Professor-Aluno-Escola.

Os papeis do professor e a escola são mais previsíveis e relativamente controláveis

No que tange ao novo papel do professor, este tem sido bem discutido e parece já ter sido bem definido, ainda que esteja distante de estar sendo adotado. O professor interage diretamente e percebe com certa insegurança as mudanças aceleradas de dinâmica havidas na sala de aula, esforçando-se para se adaptar ao novo modelo, muitas vezes, sem dispor de material adequado ou de qualquer apoio ao seu desenvolvimento profissional.

Já o papel da escola nesse processo parece ser dúbio. Por um lado, reconhece que algo não vai bem na dinâmica de ensino e aprendizagem e, por isso, incentiva a proposição de algumas mudanças controláveis, por outro lado, se reconhece impedida de agir de modo mais inovador ou disruptivo por força das legislações que a afetam e dos processos regulatórios do ensino, além do custo operacional adicional proporcionado pela requalificação de seus colaboradores e do aparelhamento material digital de sua operação.

Bem ou mal, os ajustes nos papeis do professor e da escola tendem a residir num patamar previsível e relativamente controlável.

O papel do aluno é mais complexo e difícil

Entretanto, o novo papel do aluno parece ser mais complexo de ser entendido e de ser incorporado à nova dinâmica. Sem que tivesse demandado algo semelhante e sem registro em seu histórico de 20 anos (em média) frequentando uma escola, ao aluno foram atribuídas novas, e infinitamente maiores, responsabilidades relacionadas a sua presumida autonomia e protagonismo.

Deixar de ser um sujeito passivo no processo

Teoricamente, o aluno terá que dispor de seu papel passivo na relação de aprendizagem, deixando de, simplesmente, acompanhar o conteúdo exposto pelo professor por meio de aulas expositivas, melhores ou piores, e de se preocupar prioritariamente com as provas periódicas, culpando o professor e sua aula pelo mal desempenho.

Diferentemente de sua experiência histórica, a partir de então, o aluno será desafiado a percorrer caminhos desconhecidos e individualizados para a absorção do conteúdo fora e dentro da sala de aula – estará mais livre para aprender as matérias na extensão e na profundidade que desejar.

Obviamente, contará com a orientação e mediação do (novo) professor que, se bem integrado ao modelo, se ocupará de indicar as melhores fontes de consulta onde ele poderá se apropriar do melhor conteúdo de forma mais direta, dinâmica, provida de propósitos e compatível com seus aparatos digitais. Será recebido em sala de aula por um professor disposto a sanar as suas dúvidas, aprofundar o conteúdo e contextualizar a matéria.

Por outro lado, para que o processo aconteça de modo efetivo, o aluno precisará dispor de vontade e motivação próprias para se debruçar nas sugestões iniciais do professor e conseguir amealhar as suas dúvidas individuais, além de elaborar as suas produções individuais e coletivas, pois, sem elas, não conseguirá acompanhar a aula presencial do professor – terá que aprender a aprender, rapidamente, ou estará alijado do processo.

O preço da liberdade do aluno de aprender de modo individualizado e com significado é o exercício responsável de sua própria autonomia.

Desse modo, professores e escolas questionam se a mudança que eles terão que promover no processo de ensino-aprendizagem, em prol de uma educação inovadora, será acompanhada adequadamente pela mudança de comportamento do aluno. O aluno, que sempre foi passivo no processo, aceitará as novas responsabilidades decorrentes com seu protagonismo? Essas responsabilidades são realmente condizentes com sua maturidade neuro-hormonal? As propostas e abordagens ativas de ensino dos professores serão bem aceitas e acatadas, sob o risco de inviabilizarem o planejamento de aulas do professor e a condução da matéria? A decisão pela adoção de abordagens ativas poderá acarretar problemas de reclamações e evasão à escola? Etc.

O grande desafio. Que venha o novo!

O grande desafio que emerge é prever como o aluno se comportará diante da responsabilidade de seu protagonismo e autonomia no contexto da educação inovadora, e como o professor e a escola deverão se posicionar de modo a favorecer e facilitar essa mudança.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@ schedio.com.br

#Educação #Inovação #metodologias ativas #blogdosoler

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NA OBRA, A TECNOLOGIA É BEM-VINDA, MAS NÃO SE BASTA

julho 29, 2018

Passada a tormenta que assolou o segmento de negócios e a quase extinção das grandes obras de infraestrutura nos últimos anos, retomei esta semana o trabalho em uma grande obra rodoviária de dimensões exponenciais no histórico nacional – o maior túnel, a maior extensão de túneis, etc.

Curioso e apaixonado pelo trabalho no canteiro e pelo projeto em si, procurei analisar as diferenças desde a última vez que calcei as botas de EPI há dois anos atrás.

Governança e Compliance

 Em primeiro lugar, é nítida a observação de processos relacionados à governança e ao compliance – a rigorosidade dos detalhes e das exigências, a transparência das negociações, o cuidado com as relações pessoais e o extremo profissionalismo aplicado às contratações. Seriedade e respeito ao bem público e seus benefícios à sociedade que nunca deveriam ter faltado.

Tecnologia disruptiva

Foi maravilhoso perceber a obra pela ótica da utilização de novas tecnologias. Equipamentos extremamente sofisticados, importados e caros realizam de modo autônomo o trabalho que antes era feito por dezenas (centenas??) de profissionais contratados. Salas de comando e controle que monitoram de modo remoto o avanço e a qualidade da obra a partir de dados emitidos por sensores remotos e drones que se revezam na supervisão do desempenho. Sistemas complexos que analisam dados coletados, avaliam automaticamente condições adversas e emitem alertas técnicos e de gestão – sinalizadores coloridos, gráficos, curvas e sons que antes eram elaborados e processados por profissionais experientes, agora emergem dos monitores indicando com grande precisão o que deve ser feito a seguir. Um novo mundo construído à semelhança das novas regras e exigências da atualidade. Mais limpo, direto, rápido e menos sujeito as subjetividades e intemperanças humanas.

Tinha gente também!!!

Mas não pensem que só percebi mudanças inovadoras disruptivas. Lá estavam, ainda, mais de 2 mil trabalhadores, de carne, osso, botas e capacete. Tal como sempre convivi, trabalhavam incansavelmente instalando, conduzindo e posicionando equipamentos, manuseando ferramentas, carregando, puxando, cavando, batendo, executando tarefas de diferentes níveis de complexidade, sinalizando a segurança, gerindo os recursos, supervisionando, etc. … tomando decisões.

A obra do futuro

Os novos ares, do novo canteiro me fez reavaliar minha visão sobre o futuro. Erra quem acredita que a obra do futuro se limitará apenas à utilização de tecnologia. Dificilmente a máquina será capaz de trabalhar em equipe, acumular experiência, produzir e utilizar o conhecimento tácito, se motivar, pensar e agir como o trabalhador profissional, humano!

Erra quem aposta apenas nas mudanças promovidas apenas pelas novas gerações digitalmente nativa e empoderadas pelas inovações tecnológicas disponíveis. Há que se valorizar a experiência de quem já fez um dia e a sua capacidade de lidar com os imprevistos. Uma grande obra de construção de infraestrutura não se limita ao algoritmo previsível de um programa de computador.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Construção #Obraspúblicas #Engenharia #Gestão #Blogdosoler


INOVAÇÃO NA EDUCAÇÃO: EDTECHS, SOLUÇÃO E OPORTUNIDADE

julho 11, 2018

Post publicado na coluna de Alonso Soler na revista eletrônica Project Design Management – https://projectdesignmanagement.com.br/blog/edtechs-solucao-e-oportunidade/

A tecnologia é a base das mudanças que vêm acontecendo na educação de modo global representadas pelo foco no processo de aprendizagem individualizada do aluno, respeitando suas diferenças neuro e psicológicas; pela significação dos conteúdos baseada na realidade geográfica e social do aluno; pela disponibilização ampla do acesso à educação de qualidade em qualquer lugar e em qualquer tempo (on-learning) e pelo aprendizado contínuo durante toda a vida (long life learning)…

Continue a ler em https://projectdesignmanagement.com.br/?p=22721&preview=true

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Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Educação #Inovação #Edtechs #Inteligenciaartificial #IA #blogdosoler

 


CONSTRUTECHS NA NUVEM, “AS A SERVICE”

junho 24, 2018

XaaS (“Anything as a Service” – pronuncia-se “Zaaz”), ou “tudo como serviço” é um conceito e uma tendência estratégica de negócios do mundo da Tecnologia da Informação que altera o modo de entrega de seus produtos – estes, deixam de ser comercializados como produtos físicos, tais como licenças de software e hardware, para serem ofertados como serviços, disponíveis na nuvem (“cloud computing”) e pagos através de contratos sob demanda.

Vantagens e desvantagens do Xaas

Essa tendência altera a contabilização dos recursos de TI que deixam de ser tratados como ativos de investimentos, inseridos no CAPEX da empresa, e passam a ser geridos como despesas do fluxo de caixa. Assim, a grande vantagem do XaaS, para quem contrata os serviços, reside na contenção de investimentos e a desimobilização de ativos, associados ao recebimento de serviços especializados e constantemente atualizados, pagos a preços razoáveis. Por outro lado, a principal desvantagem, aponta para o aumento das despesas correntes que oneram o fluxo de caixa mensal – um deslize nesse quesito tende a inviabilizar a empresa.

SmartContracts

Um contrato de serviços executado através da nuvem, garante às partes a observação estreita das condições negociadas de modo autônomo através da própria tecnologia, um perfeito exemplo de SmartContract, tal como este tem sido abordado nos últimos posts deste blog. Por um lado, o pagamento do preço acordado, na periodicidade acordada permite a continuidade na prestação de serviços, ou a sua interrupção, em caso contrário. Por outro lado, questões relacionadas ao desempenho dos serviços contratados, suas integrações, questões de segurança e de suporte técnico asseguram ao contratante o nível de serviços contratado.

Serviços padronizados e parametrizáveis

O ecossistema das startups, particularmente daquelas voltadas à indústria da construção, tende a se beneficiar e se orientar para a prestação de serviços padronizados e parametrizáveis, através da nuvem (“as a service”). Perceba que o adjetivo “padronizado”, não impõe uma limitação ao escopo contratado, mas sim, à possibilidade de customização do serviço contratado aos parâmetros demandados, permitindo a mediação remota da tecnologia e a digitalização intensiva da gestão (com todas as suas vantagens e desvantagens intrínsecas), desvinculadas do contato físico e subjetivo humano.

Construtechs na nuvem, “as a Service”.

É o caso, por exemplo, de se conceber a modelagem e a compatibilização dos projetos de arquitetura e engenharia como serviços ofertados na nuvem, ou ainda, serviços de procura, compra e a contratação de recursos (equipamentos e materiais) adequados e a menor custo para as obras, ou ainda, serviços remotos de automação dos canteiros através de dispositivos móveis e sensores vestíveis inteligentes, assim como, serviços de gestão dos contratos e de documentos, etc.

A tendência da construção se desloca da disposição concentrada de funcionários para a agregação de serviços integrados contratados na nuvem e pagos sob demanda.

O céu é o limite

Inovação tecnológica tem sido considerado o pavimento firme para o futuro do segmento da construção, capaz de garantir maior eficiência, transparência e lisura nas operações técnicas e de gestão.

Mas o fundamento de qualquer inovação tecnológica está associado a escalabilidade exponencial da ideia. Não é qualquer epifania empreendedora que alavancará um protótipo, e aqui reside a oferta remota de serviços na nuvem (“as a service”) como facilitadora do processo de viabilização das Construtechs.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

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#Construção #Inovação #Construtechs


UMA FICÇÃO SOBRE INOVAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

junho 17, 2018

A cadeia de valor da indústria da construção civil está mudando exponencialmente ao mesmo passo do que se observa na sociedade e seus impactos na economia. O tratamento cognitivo de grandes massas de dados gerando informação, a personalização de produtos, serviços e de relacionamentos, a conexão global e em tempo real, a desimobilização do capital e o compartilhamento de ativos impõem a disruptura do modelo de negócios vigente e trazem o novo à tona. No alicerce dessa transformação reside a disposição rápida e barata da tecnologia que fomenta e dá sustentação à inovação.

Este texto escrito em forma de uma história de ficção pretende ilustrar a extensão e o poder da inovação tecnológica na integração do ecossistema da construção civil, passando pela cadeia da incorporação, marketing, engenharia, construção, financiamento, securitização, registro e legalização de ativos.

Tudo começa…

Nossa história começa no dia em que Max postou nas redes sociais que Adèle lhe pediu em casamento, e ele aceitou.

… dois anos antes…

Na verdade, nossa história não começa aí. O verdadeiro início, numa das vertentes de observação, reside na contratação de um serviço de avaliação e modelagem estatística da previsão da mobilidade econômica da cidade por uma Incorporadora. Dados sócio, ambientais e econômicos, georreferenciados, foram integrados a bases de dados disponíveis de disposição de serviços público, zoneamento urbano e de tendências sócio políticas. De posse do relatório que previa o deslocamento econômico urbano para áreas potenciais, a Incorporadora contratou uma empresa de land hunting (busca de terrenos) através de drones para encontrar espaços de compra. Com uma área adquirida, a Incorporadora contratou estudos sociológicos sobre o comportamento geracional do público alvo potencial daquela nova região, elaborou um projeto arquitetônico que se ajustava às características da demanda e lançou o empreendimento.

… de volta ao casal…

Ao anunciar o casamento pelas redes sociais, as informações disponíveis, pessoais e profissionais, de Max e Adèle foram capturadas e analisadas por uma empresa de inteligência digital de mercado. Diferentes bases de dados, estruturados e desestruturados, foram integradas por Cientistas de Dados e apontaram o casal como potencial comprador daquele empreendimento específico: a renda conjunta do casal era compatível, a localização era próxima do local de trabalho de ambos e o ambiente do bairro era condizente com o perfil descolado e inovador do casal. Hobbies e gostos específicos do casal foram utilizados na pesquisa e a frequência constante a um barzinho de cervejas artesanais na região do empreendimento foi considerado evento significativo na modelagem da oferta.

… a proposta.

Foi uma surpresa para ambos quando receberam individualmente uma proposta comercial, especificamente dirigida aos seus nomes, destacando aspectos que lhes pareciam interessantes na região, apontando a distância ao local de trabalho de ambos, as opções de transporte, valores compatíveis com sua renda e opções de financiamento pré-aprovado que levavam em conta o seu perfil de crédito já ajustado ao seu comportamento psicológico de compra e risco calculado de distrato. Uma proposta personalizada irrecusável, elaborada pela Incorporadora a partir de alternativas recebidas de empresas de marketing digital, financeiras e um escritório de advocacia que fazem uso de computação cognitiva e inteligência artificial.

… o acompanhamento da obra – um novo hobby.

Enquanto aguardavam a data do casamento, Max e Adèle acompanhavam o avanço da construção de seu primeiro imóvel através de sensores inteligentes remotos colocados em pontos específicos da obra e que alimentavam um modelador 3D e um cronograma, disponibilizados para eles através da internet, a qualquer instante e em qualquer lugar. O casal sabia, exatamente, a situação da construção do empreendimento, como um todo, e a de sua unidade, em específico. Adoravam ficar assistindo à evolução de sua unidade, desde a construção da laje, o fechamento da fachada, a alvenaria, as instalações, etc. Conferiam rigorosamente, pela internet, a metragem construída, o uso de tubulações, cerâmicas, fiação, metais e louças conforme as marcas combinadas que constavam no memorial descritivo e sempre tiravam dúvidas com seu representante na obra. O sistema disponibilizado permitia ainda ao casal tirar fotos antecipadas do interior de seu futuro apartamento durante a obra, através de tecnologia de realidade aumentada e realidade virtual, experimentando opções de arquitetura de interiores oferecidas à eles por escritórios de arquitetura parceiros da Incorporadora. Max e Adèle compartilhavam sua alegria pelas redes sociais e isso ajudava a Incorporadora a entender mais sobre eles, seu grau de satisfação e o de seu grupo de amizades, cuja compatibilização de perfil era constantemente monitorada para um ou outro novo empreendimento da empresa.

… a gestão da construção.

Invisível aos olhos do casal, o contrato da Incorporadora com a Construtora e demais contratos de fornecimento e prestação de serviços também eram administrados com a mediação de tecnologia. Todos os projetos foram compatibilizados pelo modelador 3D e desdobrados no cronograma (4D) e no orçamento da obra (5D). A obra foi concebida pré-moldada e o fornecimento das partes foi contratado e monitorado em tempo real através de sensores inteligentes que acompanhavam o pedido nas diferentes fábricas localizadas no país e no exterior. A produção remota das partes, o embarque e a chegada no canteiro foram “puxadas” conforme o cronograma de construção enxuta e geravam marcos instantâneos de atualização do cronograma, atualização do modelador, gerador de medições e realização de pagamentos, tudo via smartcontracts.

… customização da unidade, financiamento e securitização.

A Incorporadora ofereceu ainda ao casal a possibilidade de customização das áreas de sua unidade. Revestimentos, pisos, banheiros e cozinha foram oferecidos em opções customizáveis elaboradas de modo parametrizável às dimensões do ambiente por fornecedores específicos. Ofertas adicionais de customização foram acompanhadas por opções de crédito e seguros adicionais pré-aprovados e com taxas compatíveis com as disponibilidades e perfil de risco do casal.

… legalização cartorária.

Na entrega das chaves, Max e Adèle assinaram um contrato de disposição conjunta do imóvel. O cartório foi substituído pela expressão de transparência e confiança na blockchain, onde toda a história do apartamento foi registrada em blocos distribuídos, imutáveis e rastreáveis de informação, desde o projeto arquitetônico, os cálculos de engenharia, o material utilizado, o acompanhamento da obra, os contratos executados e os pagamentos realizados. A unidade 503 do bloco B, construída pela Incorporadora e comprada, inicial e solidariamente por Max e Adèle, passou a figurar na nuvem como uma entidade digital – a sua história foi registrada de modo transparente e está aberta a ser complementada pelo futuro histórico que lhe couber.

… felizes para sempre!

A entrega das chaves aconteceu dois meses antes da data do casamento e o casal foi feliz durante os dois anos que se sucederam. Certo dia, Adèle postou nas redes sociais que estava grávida. Coincidentemente, ela e Max receberam uma nova proposta de um imóvel maior, com playground e próximo de boas escolas… e a história se repetiu.

Ficção? #sqn – só que não!

Apesar do conservadorismo típico da indústria da construção, as inovações tecnológicas que a cercam florescem de modo exponencial. O ecossistema das startups de construção (construtechs) exibe uma dinâmica rejuvenescida e energizada capaz de mudar rapidamente o modelo de negócios atual. Aliás, a ficção de Max e Adèle não é mais um exercício de futurologia, ela já é real e, certamente, está presente e influenciando a sua própria história, Leitor.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Construção #Inovação #Construtechs


INOVAÇÃO EM PROJETOS DE CAPITAL – APENAS UMA TENDÊNCIA OU UMA REALIDADE?

junho 14, 2018

Texto preparado para fomentar discussões no evento AACE INOVAÇÃO EM PROJETOS DE CAPITAL – APENAS UMA TENDÊNCIA OU UMA REALIDADE? (07 de junho de 2018 – São Paulo, SP)

O que é o protocolo da confiança?

O protocolo da confiança (cadeia de blocos – “blockchain”) é uma plataforma tecnológica inovadora de transação descentralizada de dados, concebida para serem processadas as operações realizadas com a criptomoeda Bitcoin na internet, garantindo transparência, imutabilidade, rastreabilidade e segurança a todos os registros realizados.

Apesar da lenda de Satoshi Nakamoto e do mistério que ronda a sua criação, é tamanha a sensação da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain que as pessoas se sentem confortáveis em transacionar e entregar ativos, assim como vender produtos e serviços pela internet, por meio de criptomoedas, mesmo estando à distância e sem contato físico ou conhecimento mútuo entre das partes envolvidas.

Essa confiança na segurança proporcionada pela Blockchain às transações de dados pela internet tem proporcionado a perspectiva da extensão ampla das aplicações da plataforma para além das fronteiras das transações monetárias com o Bitcoin ou outras criptomoedas, incluindo aí, inclusive, a confiança na lisura do processamento de eleições nacionais, tal como, em março deste ano, foi testado nas eleições de Serra Leoa.

O que são os Smartcontract?

Um apêndice valoroso que acabou se valendo da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain são os Smartcontracts (contratos inteligentes ou contratos digitais). Estes, são programas de computador auto executáveis capazes de automatizar rotinas burocráticas simples e que podem ser processadas dentro da plataforma da Blockchain sem a interferência humana, potencializando assim credibilidade e confiança no cumprimento do objeto e das condições do contrato pelas partes.

Como ilustração imagine que você adquire um aplicativo para o seu smartphone e decide pelo pagamento parcelado. Caso você fique inadimplente, pode acontecer do programa disparar um comando de bloqueio do seu aplicativo, automaticamente, em cumprimento das cláusulas contratuais acordadas, sem a interferência humana.

Ou ainda, imagine que você é pego por excesso de velocidade por um radar inteligente que fotografa o seu carro, transforma a imagem em dados e lê a sua placa, levanta suas informações cadastrais e, imediatamente, envia um documento bancário de multa para sua residência, inserindo ainda a pontuação da penalidade em seu prontuário de motorista e contabilizando a sua dívida nos sistemas da prefeitura. Percebam que em ambos os casos o programa de computador, de forma automática e autônoma, operacionalizou todo o processo de um “pseudo contrato” digital, o primeiro relativo à aquisição de um serviço, o segundo relativo ao cumprimento de uma lei.

Inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção

No segmento da construção, os Smartcontracts operando sob a plataforma Blockchain, encontram infinitas possibilidades de aplicações que servem de solução para problemas atuais de ineficiência e potencializam a lisura das operações.

Obviamente, o fundamento básico dessas possibilidades advém da introdução de inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção que têm possibilitado a automação dos canteiros de obras por meio de: modelagem e  compatibilização de projetos através do BIM; fabricação de elementos estruturais fora do canteiro de obras (modularização); estruturas mistas de aço e concreto e a impressão de estruturas em 3D; uso de materiais inovadores tais como o bioconcreto, o concreto translúcido, o concreto que brilha no escuro, a tinta que absorve energia solar, tijolos inteligentes e ecológicos; automação dos canteiros de obras com dispositivos móveis, sensores vestíveis inteligentes, o rastreamento de ferramentas; aplicações da Internet das Coisas (IoT), da realidade virtual e aumentada, de aplicativos e de drones; controle do ritmo produtivo e o monitoramento de procedimentos para a realização eficiente do trabalho; gestão sustentável da água e dos resíduos sólidos, a logística reversa, etc.

A amplitude da aplicação dos SmartContracts e da Blockchain

Como ilustração, pode-se conceber um Smartcontract entre um prestador de serviços e seu contratante, operacionalizado através de sensores inteligentes móveis instalados próximos ao local da obra. Este se encarregaria de enviar sinais da evolução física e do controle tecnológico (qualidade) para o modelador 3D que, automaticamente, e à distância, avaliaria a conclusão e o ritmo da obra, processando a liberação de medições e o pagamento ao prestador de serviços, sem a interferência humana e a necessidade da presença física da fiscalização. O tráfego dos dados seria feito através da Blockchain, garantindo a transparência, a eficiência e a rastreabilidade da transação e minimizando indisposições entre as partes, pleitos e litígios judiciais.

Nessa mesma linha, pode-se conceber ainda os Smartcontracts atuando no recebimento, retirada e controle de estoque de materiais e ferramentas nos canteiros (KANBANS eletrônicos), controle de quantidades e produtividade de efetivos de mão de obra disponibilizados pelos prestadores de serviços, controles tecnológicos, registro e controle de condições ambientais impactando no ritmo e produtividade do avanço físico, etc. Enfim, toda e qualquer transação operacional simples que, atualmente, vem sendo realizada por indivíduos passíveis de interpretações subjetivas, erros e ilícitos, poderiam ser substituídas por operações automáticas, transparentes, públicas, rastreáveis, seguras e confiáveis, realizadas através da Blockchain.

Impactos na Gestão Contratual

A introdução de tecnologias que tornam passíveis de acordos, via Smartcontracts, as cláusulas contratuais tendem a se estender pelas operações de monitoramento e controle da obra, tais como: (a) avanço físico e processamento das medições, multas e penalidades; (b) interferências no cronograma provocadas por mudanças no planejamento previsto, reprogramações, presença de obstáculos, atividades operacionais programadas, acidentes, etc.; (c) cumprimento das obrigações contratuais sob a responsabilidade das partes, tais como a liberação de áreas e acessos, o fornecimento de autorizações e licenças, o controle de resíduos, o fornecimento de projetos de Engenharia, a liberação de frentes de serviço, etc.; (d) condições gerais de execução, tais como, as características geotécnicas das áreas designadas, a disposição de recursos fornecidos pelas partes, as condições ambientais, as exigências de qualidade e de SSMA, o controle de ativos e de efetivos alocados na obra, a elaboração de diário de obras e de data books, entre outros…

O advocacy dessa intermediação tecnológica fica ainda muito mais claro quando se considera o ambiente das obras públicas. Some-se a isso as perspectivas de eficiência na operação das obras, com ganhos na redução de custos e despesas, qualidade e celeridade das entregas, impactando positivamente a geração de empregos, renda e os cuidados ambientais.

Que venha o futuro. Vida longa aos Smartcontracts e à Blockchain!

As inovações tecnológicas introduzidas pelas Construtechs, os Smartcontracts e a Blockchain, prometem mudar abruptamente o cenário e as relações contratuais da construção. O futuro é uma folha em branco a ser desenhada e tudo ainda está no chão. No que tange às obras públicas, o contribuinte aguarda com alento a chegada desse futuro na esperança de poder usufruir efetivamente dos serviços prestados pelas edificações e pela infraestrutura disponibilizada com a sensação de eficiência e lisura no trato dos recursos que lhe pertencem.

Pauta à um candidato

Em tempo de eleições e considerando um país extremamente dividido em suas posições ideológicas, a pauta do combate à corrupção pandêmica que assola o país, desde que embasada no contexto republicano democrático e fundamentada pelos preceitos da legalidade e da justiça, ganha um significado amplo e irrestrito, capaz de pautar uma agenda comum de diálogo a ser compartilhada pela sociedade, candidatos e partidos políticos.)

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

Veja também os posts das últimas semanas…

‘RESKILLING’ DE PROFISSIONAIS DE ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/06/03/reskilling-de-profissionais-de-engenharia-e-construcao/

TECNOLOGIA E EFICIÊNCIA NA CONSTRUÇÃO

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/05/27/tecnologia-e-eficiencia-na-construcao/

BIM E A NOVA LEI DAS LICITAÇÕES – PROPOSTAS LEGISLATIVAS PARA A CONSTRUÇÃO

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/05/13/obras-paralisadas-uma-questao-de-prioridade-nacional/

BIM EM OBRAS PÚBLICAS

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/05/20/bim-em-obras-publicas/

OBRAS PARALISADAS – UMA QUESTÃO DE PRIORIDADE NACIONAL

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/05/13/obras-paralisadas-uma-questao-de-prioridade-nacional/

GESTÃO CONTRATUAL EM TEMPOS DE SMARTCONTRACTS E BLOCKCHAIN

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/04/01/gestao-contratual-em-tempos-de-smartcontracts-e-blockchain/

SMARTCONTRACTS E BLOCKCHAIN NA CONSTRUÇÃO

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/03/25/smartcontracts-e-blockchain-na-construcao/

A (R)EVOLUÇÃO DAS CONSTRUTECHS

https://blogdosoler.wordpress.com/2018/03/11/a-revolucao-das-construtechs/


A AMPLITUDE DA APLICAÇÃO DA BLOCKCHAIN E SMARTCONTRACTS EM CONSTRUÇÃO

junho 10, 2018

Texto preparado para fomentar discussões no evento AACE INOVAÇÃO EM PROJETOS DE CAPITAL – APENAS UMA TENDÊNCIA OU UMA REALIDADE?

07 de junho de 2018 – São Paulo, SP

O que é a Blockchain?

A Blockchain (“o protocolo da confiança”) é uma plataforma tecnológica inovadora de transação descentralizada de dados, concebida para serem processadas as operações realizadas com a criptomoeda Bitcoin na internet, garantindo transparência, imutabilidade, rastreabilidade e segurança a todos os registros realizados.

Apesar da lenda de Satoshi Nakamoto e do mistério que ronda a sua criação, é tamanha a sensação da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain que as pessoas se sentem confortáveis em transacionar e entregar ativos, assim como vender produtos e serviços pela internet, por meio de criptomoedas, mesmo estando à distância e sem contato físico ou conhecimento mútuo entre das partes envolvidas.

Essa confiança na segurança proporcionada pela Blockchain às transações de dados pela internet tem proporcionado a perspectiva da extensão ampla das aplicações da plataforma para além das fronteiras das transações monetárias com o Bitcoin ou outras criptomoedas, incluindo aí, inclusive, a confiança na lisura do processamento de eleições nacionais, tal como, em março deste ano, foi testado nas eleições de Serra Leoa.

O que são os Smartcontracts?

Um apêndice valoroso que acabou se valendo da “cyber segurança” proporcionada pela Blockchain são os Smartcontracts (contratos inteligentes ou contratos digitais). Estes, são programas de computador auto executáveis capazes de automatizar rotinas burocráticas simples e que podem ser processadas dentro da plataforma da Blockchain sem a interferência humana, potencializando assim credibilidade e confiança no cumprimento do objeto e das condições do contrato pelas partes.

Como ilustração imagine que você adquire um aplicativo para o seu smartphone e decide pelo pagamento parcelado. Caso você fique inadimplente, pode acontecer do programa disparar um comando de bloqueio do seu aplicativo, automaticamente, em cumprimento das cláusulas contratuais acordadas, sem a interferência humana.

Ou ainda, imagine que você é pego por excesso de velocidade por um radar inteligente que fotografa o seu carro, transforma a imagem em dados e lê a sua placa, levanta suas informações cadastrais e, imediatamente, envia um documento bancário de multa para sua residência, inserindo ainda a pontuação da penalidade em seu prontuário de motorista e contabilizando a sua dívida nos sistemas da prefeitura. Percebam que em ambos os casos o programa de computador, de forma automática e autônoma, operacionalizou todo o processo de um “pseudo contrato” digital, o primeiro relativo à aquisição de um serviço, o segundo relativo ao cumprimento de uma lei.

Inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção

No segmento da construção, os Smartcontracts operando sob a plataforma Blockchain, encontram infinitas possibilidades de aplicações que servem de solução para problemas atuais de ineficiência e potencializam a lisura das operações.

Obviamente, o fundamento básico dessas possibilidades advém da introdução de inovações tecnológicas, incrementais ou disruptivas, no ambiente da construção que têm possibilitado a automação dos canteiros de obras por meio de: modelagem e compatibilização de projetos através do BIM; fabricação de elementos estruturais fora do canteiro de obras (modularização); estruturas mistas de aço e concreto e a impressão de estruturas em 3D; uso de materiais inovadores tais como o bioconcreto, o concreto translúcido, o concreto que brilha no escuro, a tinta que absorve energia solar, tijolos inteligentes e ecológicos; automação dos canteiros de obras com dispositivos móveis, sensores vestíveis inteligentes, o rastreamento de ferramentas; aplicações da Internet das Coisas (IoT), da realidade virtual e aumentada, de aplicativos e de drones; controle do ritmo produtivo e o monitoramento de procedimentos para a realização eficiente do trabalho; gestão sustentável da água e dos resíduos sólidos, a logística reversa, etc.

A amplitude da aplicação dos SmartContracts e da Blockchain

Como ilustração, pode-se conceber um Smartcontract entre um prestador de serviços e seu contratante, operacionalizado através de sensores inteligentes móveis instalados próximos ao local da obra. Este se encarregaria de enviar sinais da evolução física e do controle tecnológico (qualidade) para o modelador 3D que, automaticamente, e à distância, avaliaria a conclusão e o ritmo da obra, processando a liberação de medições e o pagamento ao prestador de serviços, sem a interferência humana e a necessidade da presença física da fiscalização. O tráfego dos dados seria feito através da Blockchain, garantindo a transparência, a eficiência e a rastreabilidade da transação e minimizando indisposições entre as partes, pleitos e litígios judiciais.

Nessa mesma linha, pode-se conceber ainda os Smartcontracts atuando no recebimento, retirada e controle de estoque de materiais e ferramentas nos canteiros (KANBANS eletrônicos), controle de quantidades e produtividade de efetivos de mão de obra disponibilizados pelos prestadores de serviços, controles tecnológicos, registro e controle de condições ambientais impactando no ritmo e produtividade do avanço físico, etc. Enfim, toda e qualquer transação operacional simples que, atualmente, vem sendo realizada por indivíduos passíveis de interpretações subjetivas, erros e ilícitos, poderiam ser substituídas por operações automáticas, transparentes, públicas, rastreáveis, seguras e confiáveis, realizadas através da Blockchain.

Impactos na Gestão Contratual

A introdução de tecnologias que tornam passíveis de acordos, via Smartcontracts, as cláusulas contratuais tendem a se estender pelas operações de monitoramento e controle da obra, tais como: (a) avanço físico e processamento das medições, multas e penalidades; (b) interferências no cronograma provocadas por mudanças no planejamento previsto, reprogramações, presença de obstáculos, atividades operacionais programadas, acidentes, etc.; (c) cumprimento das obrigações contratuais sob a responsabilidade das partes, tais como a liberação de áreas e acessos, o fornecimento de autorizações e licenças, o controle de resíduos, o fornecimento de projetos de Engenharia, a liberação de frentes de serviço, etc.; (d) condições gerais de execução, tais como, as características geotécnicas das áreas designadas, a disposição de recursos fornecidos pelas partes, as condições ambientais, as exigências de qualidade e de SSMA, o controle de ativos e de efetivos alocados na obra, a elaboração de diário de obras e de data books, entre outros…

O advocacy dessa intermediação tecnológica fica ainda muito mais claro quando se considera o ambiente das obras públicas. Some-se a isso as perspectivas de eficiência na operação das obras, com ganhos na redução de custos e despesas, qualidade e celeridade das entregas, impactando positivamente a geração de empregos, renda e os cuidados ambientais.

Que venha o futuro. Vida longa aos Smartcontracts e à Blockchain!

As inovações tecnológicas introduzidas pelas Construtechs, os Smartcontracts e a Blockchain, prometem mudar abruptamente o cenário e as relações contratuais da construção. O futuro é uma folha em branco a ser desenhada e tudo ainda está no chão. No que tange às obras públicas, o contribuinte aguarda com alento a chegada desse futuro na esperança de poder usufruir efetivamente dos serviços prestados pelas edificações e pela infraestrutura disponibilizada com a sensação de eficiência e lisura no trato dos recursos que lhe pertencem.

Pauta à um candidato

Em tempo de eleições e considerando um país extremamente dividido em suas posições ideológicas, a pauta do combate à corrupção pandêmica que assola o país, desde que embasada no contexto republicano democrático e fundamentada pelos preceitos da legalidade e da justiça, ganha um significado amplo e irrestrito, capaz de pautar uma agenda comum de diálogo a ser compartilhada pela sociedade, candidatos e partidos políticos.)

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Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

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