e-BOOK – GESTÃO ORÇAMENTÁRIA DE EMPREENDIMENTOS

setembro 2, 2018

A Gestão Orçamentária eficiente é um dos principais fundamentos que contribuem para o alcance dos resultados financeiros de um Empreendimento de Construção. A padronização dos processos e diretrizes da Gestão Orçamentária visa conferir maior previsibilidade e transparência à contabilização dos resultados dos empreendimentos, facilitando e agilizando a tomada de decisões relacionadas aos seus custos.

Clique no link e baixe gratuitamente o e-book que descreve processos e diretrizes da Gestão Orçamentária (estruturação, controle e manutenção orçamentária) de Empreendimentos de Construção, visando equalizar a coleta e a alimentação de bases de dados, o uso padronizado de sistemas de informação, bem como a consolidação e a análise (situação, progresso e previsão) do desempenho dos custos, permitindo a tomada de decisões mais adequadas ao sucesso dos empreendimentos.

GESTÃO ORÇAMENTÁRIA DE EMPREENDIMENTOS

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#gestãoorçamentária #gestãocontratual #contratos #construção #obraspúblicas #engenharia #gestão #blogdosoler

Anúncios

e-BOOK – GESTÃO DO CONHECIMENTO NO AMBIENTE DE CONSTRUÇÃO

agosto 26, 2018

Gestão do Conhecimento é um conceito que se fundamenta no processo de aprendizagem organizacional. Trata-se de um trabalho através do qual a empresa gera internamente (ou adota), absorve e reutiliza o conhecimento, visando buscar a excelência e alavancar seu desempenho operacional de modo eficiente.

A Gestão do Conhecimento fundamenta-se no princípio de que é economicamente mais vantajoso para a empresa reutilizar o conhecimento extraído de suas próprias experiências, da bagagem de conhecimentos tácito de seus Colaboradores e do conhecimento considerado adequado quando disponibilizado pelo ambiente externo do que, a todo o momento, ter que redescobrir novas soluções para problemas sistêmicos e arcar com o ônus de repetir erros já cometidos anteriormente.

A Gestão do Conhecimento visa impactar positivamente o desempenho operacional e o incremento do Capital Intelectual da empresa, o que, por consequência se estende aos resultados financeiros e à sua valorização de mercado.

Além disso, a formalização das experiências, bem ou mal sucedidas, e das competências e habilidades adquiridas pelos Colaboradores durante seu aprendizado, acabam por permanecer e se enraizar dentro da empresa.

Clique no link e baixe o e-book Gestão do Conhecimento que sintetiza as principais definições e processos pertinentes ao tema ao longo do fluxo de geração, coleta, armazenamento, manutenção, disseminação e reutilização de novos conhecimentos, visando a sua incorporação à Cultura e a contabilização ao Capital Intelectual da empresa.

GESTÃO DO CONHECIMENTO

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

 

#gestãodoconhecimento #gestãocontratual #contratos #Construção #Obraspúblicas #Engenharia #Gestão #Blogdosoler


e-BOOK – GESTÃO CONTRATUAL DE OBRAS

agosto 13, 2018

A gestão Contratual trata da observância ostensiva dos termos estabelecidos num contrato de execução de um empreendimento de Construção.

O fundamento básico de um contrato, tal como definido pelo artigo 66 da Lei nº. 8.666/1993, que dispõe de normas gerais sobre licitações e contratos da Administração Pública, estabelece que o contrato “deverá ser executado fielmente pelas partes, de acordo com as cláusulas avençadas e as normas das respectivas leis, respondendo cada parte pelas consequências de sua inexecução, total ou parcial”.

Entretanto, devido às complexidades intrínsecas que acercam os empreendimentos de construção, via de regra, esse tipo de contrato dificilmente é executado dentro da totalidade dos parâmetros estabelecidos, propiciando desvios, necessidades de mudanças e potenciais litígios entre as partes.

A Gestão Contratual é a maneira mais adequada para que as partes garantam o cumprimento de todas as suas obrigações, exercendo os seus direitos e recebendo tudo a que se faz jus pelos serviços prestados e recebidos.

A gestão contratual aborda, o acompanhamento, o controle e a fiscalização da execução das obras, e se estende, desde a concepção do edital da licitação até a entrega e o recebimento integral do objeto contratado

Clique no link e baixe o e-book Gestão Contratual que sintetiza o escopo da Gestão Contratual em cada fase do Ciclo de Vida típico de um empreendimento de construção.

GESTÃO CONTRATUAL

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#gestãocontratual #contratos #Construção #Obraspúblicas #Engenharia #Gestão #Blogdosoler


O PAINEL DE INDICADORES GERENCIAIS DO EMPREENDIMENTO

agosto 5, 2018

O Painel de Indicadores Gerenciais (ou, dashboards) é uma componente fundamental de gestão dos empreendimentos de construção. Através da compilação de números, gráficos e cores dispostos em poucas telas de fácil manuseio e visualização, o gestor dispõe de uma visão consolidada periódica das informações de desempenho do seu empreendimento proporcionando subsídios concretos para a avaliação da situação atual e da tendência de desempenho futuro do empreendimento, subsidiando a tomada de decisões preventivas e corretivas compatíveis com os objetivos de sucesso de sua gestão.

Atualmente, mais do que a consideração de modismo tecnológico, o Painel de Indicadores Gerenciais representa um diferencial para as empresas de construção.

Indicadores de Desempenho

Os indicadores que compõem um painel refletem os interesses estratégicos e operacionais de desempenho que se almeja alcançar por um empreendimento e costumam ser agrupados sobre duas perspectivas: (a) Perspectiva de desempenho Físico, Econômico e Financeiro e, (b) Perspectiva de desempenho Estratégicos.

A tabela abaixo ilustra o agrupamento de alguns indicadores representativos em ambas as perspectivas:

Blog - Figura 1

A Identidade dos Indicadores de Desempenho

Para que possam ser coletados e analisados de forma comparativa periódica, cada um dos indicadores que compõe o Painel de Indicadores Gerenciais deve ser detalhado e normatizado. A Identidade do Indicador sintetiza sua descrição de forma padrão. A tabela abaixo ilustra a representação de uma dessas identidades:

Blog - Figura 2 a

Blog - Figura 2 b

Compromissos de Gestão

O Painel de Indicadores Gerenciais costuma ser utilizado, ainda, como fundamento principal, objetivo e transparente, do acompanhamento e cálculo dos compromissos e acordos de participação nos lucros e resultados, promovidos pela empresa de construção com a equipe gerencial do empreendimento, em contrapartida ao alcance dos resultados combinados.

Fortalecimento da Boa Governança

Em sintonia com a frase icônica de Deming “não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia”, o Painel de Indicadores Gerenciais, devido à sua objetividade e transparência, representa o fortalecimento da boa governança e o retorno do empoderamento da competência e da eficiência profissional dos Gestores do empreendimento em substituição às manipulações obscuras realizadas na gestão dos contratos de construção.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#paineldedesempenho #Construção #Obraspúblicas #Engenharia #Gestão #Blogdosoler


NA OBRA, A TECNOLOGIA É BEM-VINDA, MAS NÃO SE BASTA

julho 29, 2018

Passada a tormenta que assolou o segmento de negócios e a quase extinção das grandes obras de infraestrutura nos últimos anos, retomei esta semana o trabalho em uma grande obra rodoviária de dimensões exponenciais no histórico nacional – o maior túnel, a maior extensão de túneis, etc.

Curioso e apaixonado pelo trabalho no canteiro e pelo projeto em si, procurei analisar as diferenças desde a última vez que calcei as botas de EPI há dois anos atrás.

Governança e Compliance

 Em primeiro lugar, é nítida a observação de processos relacionados à governança e ao compliance – a rigorosidade dos detalhes e das exigências, a transparência das negociações, o cuidado com as relações pessoais e o extremo profissionalismo aplicado às contratações. Seriedade e respeito ao bem público e seus benefícios à sociedade que nunca deveriam ter faltado.

Tecnologia disruptiva

Foi maravilhoso perceber a obra pela ótica da utilização de novas tecnologias. Equipamentos extremamente sofisticados, importados e caros realizam de modo autônomo o trabalho que antes era feito por dezenas (centenas??) de profissionais contratados. Salas de comando e controle que monitoram de modo remoto o avanço e a qualidade da obra a partir de dados emitidos por sensores remotos e drones que se revezam na supervisão do desempenho. Sistemas complexos que analisam dados coletados, avaliam automaticamente condições adversas e emitem alertas técnicos e de gestão – sinalizadores coloridos, gráficos, curvas e sons que antes eram elaborados e processados por profissionais experientes, agora emergem dos monitores indicando com grande precisão o que deve ser feito a seguir. Um novo mundo construído à semelhança das novas regras e exigências da atualidade. Mais limpo, direto, rápido e menos sujeito as subjetividades e intemperanças humanas.

Tinha gente também!!!

Mas não pensem que só percebi mudanças inovadoras disruptivas. Lá estavam, ainda, mais de 2 mil trabalhadores, de carne, osso, botas e capacete. Tal como sempre convivi, trabalhavam incansavelmente instalando, conduzindo e posicionando equipamentos, manuseando ferramentas, carregando, puxando, cavando, batendo, executando tarefas de diferentes níveis de complexidade, sinalizando a segurança, gerindo os recursos, supervisionando, etc. … tomando decisões.

A obra do futuro

Os novos ares, do novo canteiro me fez reavaliar minha visão sobre o futuro. Erra quem acredita que a obra do futuro se limitará apenas à utilização de tecnologia. Dificilmente a máquina será capaz de trabalhar em equipe, acumular experiência, produzir e utilizar o conhecimento tácito, se motivar, pensar e agir como o trabalhador profissional, humano!

Erra quem aposta apenas nas mudanças promovidas apenas pelas novas gerações digitalmente nativa e empoderadas pelas inovações tecnológicas disponíveis. Há que se valorizar a experiência de quem já fez um dia e a sua capacidade de lidar com os imprevistos. Uma grande obra de construção de infraestrutura não se limita ao algoritmo previsível de um programa de computador.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Construção #Obraspúblicas #Engenharia #Gestão #Blogdosoler


REALIDADE VIRTUAL NA EDUCAÇÃO

julho 22, 2018

Cena 1: Numa escola pública nos rincões do país

Um grupo de estudantes de pé, no centro da sala de uma escola pública do sertão, como que surfando em uma onda atemporal, distante de grandes centros e carente de todo tipo de recurso, se transporta virtualmente para o centro do conflito da Síria, experimentando os horrores da guerra em um campo de refugiados, caminhando pelas ruas, observando as tendas, ouvindo os sons originais do local, cruzando com moradores e passantes, observando crianças brincando e vendedores oferecendo mercadorias.

Por dez minutos, os estudantes do sertão brasileiro tiveram a sensação de vivenciar a realidade cruel da guerra, o que lhes proporcionou uma experiência emocional incomparável, tal como o seu professor de história sempre quis ensinar, mas se sentia impossibilitado pela restrição de material didático adequado. Os estudantes estavam tendo a sua primeira experiência com Realidade Virtual a partir do documentário Cloud Over Sidra do artista visual Chris Milk, disponível gratuitamente no Youtube – eles usavam óculos 3D de papelão, fabricados por eles mesmos na escola e um aparelho celular comum, emprestado de um professor.

Realidade Virtual – um teletransporte às novas experiências

A Realidade Virtual é um conjunto de tecnologias interativas (tais como óculos especiais e monitores adaptados) que permite a um usuário enxergar objetos ou cenários tridimensionais, proporcionando o seu envolvimento pessoal e sensação de estar presente, levando-o a interagir e vivenciar experiências simuladas artificiais como se fossem reais. Um verdadeiro teletransporte ao mundo virtual, “enganando” os sentidos e democratizando as possibilidades de compartilhamento de novas experiências, ampliando e transformando a mentalidade do usuário e capacitando-o a resolver desafios.

Como assim?

A tecnologia permite, por exemplo, que um professor leve seus alunos aos pólos da terra, ou ao centro de um vulcão, ilustrando o conteúdo apresentado em sala de aula, que passeiem juntos pelo Coliseu Romano, pela Floresta Amazônica ou pelo distrito de Bento Rodrigues, logo após o desastre da represa em Mariana. Permite visualizar de maneira interativa e gameficada as moléculas orgânicas de uma planta, o funcionamento de uma célula, as formações de cadeias carbônicas e todas as funções e anatomia do corpo humano. Permite visitas à beira de um córrego, observando o cenário de entulho, lixo e água parada, a procura de ambientes propícios para a proliferação do Aedes Aegypti. Permite simular situações de risco em medicina, construção civil, segurança do trabalho, treinamentos militares, etc. Um novo mundo de possibilidades que se abre! Tudo sem sair de dentro do ambiente seguro da sala de aula (como no filme Avatar!).

A Realidade Virtual e a nova Educação

O aluno da nova educação do Sec XXI é um nativo digital. Sua vida está intimamente associada à tecnologia e o novo professor deve saber tirar proveito disso, ao invés de alimentar o embate contra os dispositivos eletrônicos nas salas de aula. Nesse contexto, a Realidade Virtual situa-se como sinônimo de modernização e inovação, revolucionando os métodos de ensino sob novas perspectivas e apoiando a transição para a nova era da educação.

Considerando que a Realidade Virtual facilita experiências imersivas e interativas, ela tem o potencial de alavancar o processo de aprendizagem bem como de sua vivência, melhorando a motivação dos alunos e sua consequente compreensão e apreensão dos conteúdos trabalhados em sala de aula.

É preciso se emocionar para aprender

Segundo alguns filósofos da educação, além do visual e do auditivo, a emoção é componente fundamental do processo de aprendizagem. O francês Gilles Deleuze, menciona que o despertar do aluno numa aula acontece quando esta provoca sua emoção: “Uma aula é tanto emoção como inteligência. Sem emoção não há nada”. Em sintonia, o especialista em pedagogia Malcolm Knowles acrescenta que aprender deve ser também “uma aventura, temperada com a excitação da descoberta”.

Nesse sentido, a Realidade Virtual posiciona o aluno como protagonista de seu aprendizado, individualizando suas percepções, sua curiosidade e suas emoções, tornando a experiência de aprendizagem mais envolvente, inspiradora e transformadora de sua vida.

Startups de Realidade Virtual

No Brasil, a Realidade Virtual tem se popularizado e se infiltrado nos sistemas de ensino, privados e público. A dimensão exponencial do mercado nacional de educação e o potencial disruptivo da tecnologia vem chamando a atenção de startups dedicadas ao tema que começam a lançar seus produtos e garantir fatias desse mercado. Dentre estas, três empresas se destacam por sua proposição inovadora de valor: a Beenoculus, a Evobooks e a Uptime.

A Beenoculus é criadora do Beenoculus, um aplicativo que transforma o smartphone em óculos de Realidade Virtual. A Evobooks se propõe a criar experiências de aprendizagem significativas e inovadoras, investindo nas melhores práticas educacionais aliadas à evolução da tecnologia. Já a Uptime é a primeira escola de inglês do mundo a oferecer o aprendizado através de experiências em Realidade Virtual e aumentada.

A boa luta de gigantes

Mas a Realidade Virtual na Educação não é apenas epifania de jovens empreendedores de Edtechs. A briga chegou ao centro do império com Google, Microsoft e Facebook disputando posições no cabo de guerra das plataformas educacionais.

Por um lado, a Google saiu na frente com seu Google Expeditions, aplicativo que compõe a plataforma Google Suite for Education. O Expeditions é uma ferramenta de ensino baseada em Realidade Virtual através da qual os estudantes podem explorar o mundo sem sair da sala de aula. Já são mais de 500 expedições disponíveis, que vão desde a Estação Espacial Internacional, ao Machu Picchu ou ao fundo do mar cercado de tubarões, que já foram acessadas por mais de 2 milhões de estudantes pelo mundo.

Por outro lado, a Microsoft potencializou a sua plataforma Office 365 para Educação, anunciando uma parceria com o projeto WGBH’s Bringing the Universe to America’s Classrooms, para distribuição nacional em Realidade Virtual de conteúdos sobre Ciência da Terra e Espacial e para serem usados em salas de aula por meio de recursos de aprendizagem digital.

Já pelo lado do Facebook, Mark Zuckerberg anunciou a compra da empresa que produz o Oculus Rift, um programa de Realidade Virtual que deverá disputar mercado de escolas e universidades contra o Google Cardboard e o HoloLens da Microsoft.

Tecnologia acessível. Só que não! #sqn

Algumas questões devem emergir dessa discussão de uso da Realidade Virtual na Educação: a primeira diz respeito ao alinhamento dos recursos da nova tecnologia ao projeto pedagógico do curso. Apesar de fomentar o lúdico, a Realidade Virtual não deve ser tratada apenas como um recurso recreativo em sala de aula.

A outra questão importante diz respeito aos custos da adoção da tecnologia. Embora a Google ofereça seus óculos a baixo preço e grande parte do material produzido estar sendo disponibilizado gratuitamente para escolas, resiste a necessidade de se dispor de um smartphone para executar a tecnologia, o que dificulta a adoção da Realidade Virtual nas redes públicas do país.

A tecnologia da Realidade Virtual aplicada à nova educação do Sec XXI já é um fato, este sim, real. Mas até quando o seu custo será considerado inviabilizador da democratização do ensino de qualidade e da inclusão?

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Educação #Inovação #Edtechs #Realidadevirtual #IA #blogdosoler


A TECNOLOGIA E O FIM DO EMPREGO

julho 16, 2018

Atualmente, a adoção de novas tecnologias no ambiente da produção e do trabalho tem sido associada às palavras mudança e disruptura, numa alusão à travessia ao novo, ao mais adaptado e ao melhor – a Indústria 4.0 veio para ficar. Nessa nova era, a tecnologia avança rapidamente sobre o emprego e devora postos de trabalho com apetite voraz.

Preocupação com o futuro do mercado de trabalho

Uma visão do que será o mercado de trabalho daqui a alguns anos assusta trabalhadores, sindicalistas, dirigentes públicos e entidades não governamentais, preocupados com o que será feito com hordas de pessoas sem emprego formal e, consequentemente, sem renda, no mundo. No Brasil, já se contam 13 milhões de desempregados, muitos deles não nativos e desatualizados tecnologicamente e, por isso, encontram dificuldades para retornar ao mercado de trabalho tal como o conheciam há tempos atrás.

A competição dos robôs por postos de trabalho

Alguns exemplos significativos, oriundos dos EUA, ilustram essa perspectiva: caminhões autônomos já cruzam o país, de costa a costa, experiência que ameaça o emprego de milhões de trabalhadores envolvidos com o transporte terrestre de pessoas e de cargas no mundo. O Porto de Los Angeles já opera integralmente sem a ajuda de Estivadores que, outrora, chegaram a somar mais de 16 mil empregados. A Amazon já opera todos os seus armazéns e centros de distribuição por meio de milhares de robôs programáveis, provocando a demissão de mais de 170 mil postos de trabalho nos últimos anos. A indústria automobilística já está quase que integralmente automatizada por robôs, assim como a FoxCom, fabricante do iPhone, que anunciou estar substituindo todos os seus funcionários humanos por robôs em suas fábricas na China. Ainda da China, percebe-se a substituição do homem pela máquina também no segmento da construção civil, através da adoção massiva de construções impressas, de fabricação e montagem de pré-moldados padronizados e com o uso de sensores automatizados em substituição a inspeções tradicionais.

Previsão apocalíptica

Numa visão estritamente econômica, o barateamento exponencial da tecnologia da informação e da robótica viabilizam a substituição da mão de obra humana operacional por robôs de controle automático, proporcionando a extinção de postos de trabalho e do emprego, criando uma visão catastrófica para o futuro do emprego e da humanidade.

Alguns dirão que essa previsão apocalíptica já foi experimentada antes, durante a revolução industrial, quando o artesão perdeu seu lugar para a máquina a vapor e para as linhas de produção, e que tudo se trata apenas de uma questão de ajuste e acomodação das habilidades do trabalhador às novas necessidades. Há ainda quem prefira considerar a situação sob a ótica do otimismo ingênuo, baseado na crença de que tudo se ajusta e se resolve naturalmente, devido a incapacidade de superação humana pela máquina – o ser humano não é, ainda, capaz de brincar de Deus e dotar a máquina de sua inteligência e humanidade.

Novas teorias sociais e econômicas

Extremismos a parte, o emprego, como fonte de geração de renda individual e de sustento familiar, nunca esteve tão ameaçado quanto tem sido atualmente, proporcionando campo fértil para a criação de novas teorias sociais e econômicas, incluindo aquelas que pressupõem o fim do trabalho humano braçal e operacional, abrigo de profissionais pouco qualificados, a prevalência do trabalho criativo de alta especialização e a remuneração assistencial da ocupação pelo ócio. Soluções que, apesar de oferecerem encaminhamentos adequados, tendem a gerar efeitos colaterais danosos, por exemplo, no que tange à discriminação entre os trabalhadores qualificados criativos e os ociosos mantidos pelo estado.

A demonização da tecnologia

De qualquer modo, a tecnologia não deveria ser demonizada por provocar ruídos na estabilidade do modelo vigente de emprego pois, por outro lado, dela advém novas possibilidades e perspectivas de trabalho diferentes e nem sequer imaginadas. O trabalho, a ocupação e as profissões serão outras, não comparáveis ao que experimentamos no passado e no presente. Sem mencionar ainda, as melhorias significativas, decorrentes de sua adoção e em favor do ser humano, aos problemas da fome, da saúde, da expectativa e da qualidade de vida, da segurança, etc.

Educação – o alicerce da edificação da nova sociedade

Apostando em uma perspectiva otimista, resta tecer considerações sobre um dos fatores que compõe o modelo geral de previsão do futuro do emprego – a Educação. Poderia ser ela o alicerce sobre o qual se edificaria uma nova sociedade e novos modelos sociais e econômicos que regulariam as relações evitando caos e catástrofe?

Trazendo a discussão para a realidade do Brasil, é notória a complexidade de se educar e se aculturar uma sociedade já tão defasada e desprovida de competência no assunto. Seria factível contar com essa Educação em extensão e prazo compatíveis aos “estragos” proporcionados ao emprego pela adoção das novas tecnologias? Uma sociedade que não conseguiu erradicar o analfabetismo e cujas estatísticas de analfabetismo funcional são alarmantes, seria capaz de reverter suas deficiências e se posicionar aceitavelmente na nova era da Indústria 4.0?

Se as respostas forem positivas, urge a ação prioritária de estender a educação aos brasileiros de modo massificado e disruptivo, com a mesma voracidade que vimos adentrar a tecnologia em nossas vidas. Só com educação sustentaremos a nossa sociedade.

Prioridade na pauta das discussões

Deve-se sim, priorizar as discussões sobre o futuro do emprego e sobre a educação mais adaptada à nova era, na pauta da sociedade, proporcionando a criação de políticas públicas afirmativas capazes de enfrentar o problema de forma ampla e eficaz. E que se faça uso da própria tecnologia em apoio à busca e ao encaminhamento dessas soluções.

Por:

Alonso Mazini Soler, Doutor em Engenharia de Produção POLI/USP, Professor da Pós Graduação do Insper, da FIA e da Plataforma LIT Saint Paul. Sócio da Schédio Engenharia Consultiva – alonso.soler@schedio.com.br

#Tecnologia #Trabalho #Emprego #Gestão #Blogdosoler