Equibrando Vida e Trabalho

abril 12, 2010

Sou Alonso Soler. Trabalho com Gerenciamento de Projetos. Consigo equilibrar minha vida pessoal e o trabalho.”

Pois então amigos, foi assim que resolvi me apresentar no “twitter”. Definitivamente acho que a idade (não é tanta assim!) e o acúmulo de inúmeras experiências profissionais e de vida, tudo isso junto, batido no liquidificador, me levou a tentar mudar. Sinto-me forte e amadurecido, autoconfiança elevada e muito, muito mais feliz.

Nos últimos três anos perdi 12 KG, passei a fazer esportes regularmente, mudei a alimentação, viajei a passeio mais vezes, estive mais próximo da minha esposa, filhos e dos amigos, virei peregrino do Caminho de Santiago de Compostela, passei a apreciar os bons vinhos, passei a freqüentar e fomentar saraus culturais, etc. Puxa!  A vida está mais legal e o meu projeto de vida aponta para a necessidade de mais 100 anos até que eu possa completar a lista de realizações pretendidas. 

Será que você se interessa por esse tipo de experiência? Será que você também não tem vontade de mudar de vida? Pretendo escrever sobre essas coisas e essa nova forma de levar a vida, tomando a minha própria vido como base. Convido a quem ser interessar me seguir no twitter (www.twitter.com – @alonsosoler).

Um abração

Alonso Soler

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BICIGRINO EM SANTIAGO: O ESCOPO ESTAVA ERRADO

agosto 10, 2009

Chegando à catedral de Santiago, percebi que consegui cumprir rigorosamente todas as etapas de meu projeto, com algumas modificações intermediárias, mas que não afetaram o escopo original. Consegui chegar às muralhas da cidade um dia antes do previsto, a um custo bem menor do que eu havia estimado. Não tive problemas de saúde, nem problema mecânicos com a Babieca. Tudo funcionou perfeitamente. O plano que elaborei funcionou, permitindo-me realizar a jornada com relativa folga e grande êxito.

Entretanto, três meses depois do meu retorno, pergunto-me: Por que não desci da Byke naquele dia maravilhoso durante a trilha? Por que não parei em todas as igrejas ? Todas as catedrais? Por que não estendi o trecho até aquele outro povoado onde eu poderia ter visto tal coisa? Por que não passei mais tempo com aquelas pessoas ? Por que fiquei tão preocupado com o cronograma e com o meu desempenho pessoal, que deixei de ouvir mais profundamente os sons do silêncio da solidão do caminho ? Por que não me atrasei um pouco, para sentir o momento e tudo o que ele estava me proporcionando ? Se Santiago estava comigo, por que a pressa?

Caramba, será que mirei no alvo errado? Será que o escopo de meu projeto era chegar na cidade de Santiago, conforme constava em meu plano ? Ou será que viver e sentir o caminho em si é que deveria ter sido o escopo do meu projeto ? Meu plano teria sido outro. Ouro cronograma, outro orçamento, outros benefícios. Mirei na catedral e deixei de sentir a beleza do pasto. Fiz certo um projeto que tinha o escopo errado. Que pena! … Que bom! Terei que voltar.


BICIGRINO EM SANTIAGO: RUMO À ÍTACA

agosto 4, 2009

Contribuição de Ana Carolina Shinoda, pós graduação da FEA-USP, após minha palestra sobre a viagem à Santiago de Compostela e minha descoberta de que a chegada foi apenas o início de minha jornada. A poesia de Konstantinos Kaváfis expressa exatamente o que (penso) deveríamos sentir quando partimos rumo a Santiago. Que pena que só descobrimos isso quando estamos á beira das muralhas da cidade … 

“se partires um dia rumo a Ítaca, / faz votos de que o caminho seja longo, / repleto de aventuras, repleto de saber. (…) Tem todo o tempo Ítaca na mente. / Estás predestinado a ali chegar. / Mas não apresses a viagem nunca. / Melhor muitos anos levares de jornada / e fundeares na ilha velho enfim, / rico de quanto ganhaste no caminho, / sem esperar riquezas que Ítaca te desse. / Uma bela viagem deu-te Ítaca. / Sem ela não te ponhas a caminho. / Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. / Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. / Tu te tornaste sábio, um homem de experiência, / e agora sabes o que significam Ítacas.”  –  Konstantinos Kaváfis (poeta)

Ultréia e Suzéia!


BICIGRINO EM SANTIAGO: SOBRE BURGOS E AS MANCHETES

julho 30, 2009

Assustei-me esta manha com as capas dos jornais retratando um prédio destruído em Burgos. Imediatamente fui remetido às lembranças de minha passagem pela cidade durante minha bicigrinação no último mês de Abril/2009. Esta é a segunda vez que Burgos me acorda depois do meu retorno. A primeira vez foi o caso do peregrino Italiano encontrado morto no albergue Del Cubo – o mesmo em que eu fiquei hospedado.

Para mim essas notícias são motivo de lástima, primeiramente pela consideração à cidade de Burgos, terra de El Cid, linda e acolhedora (ganhei um jantar de graça e uma roda de papo que adentrou a noite por causa do nome da minha bicicleta, Babieca). Trataram-me maravilhosamente bem, desde a chegada triunfal por uma trilha margeando o rio onde pessoas comuns pescavam trutas e que desembocava no pórtico de entrada da cidade, imediatamente próximo da catedral e do albergue – aliás, o de MELHOR infra-estrutura de todo onde eu me hospedei. Burgos seria a cidade que eu escolheria morar se tivesse que me mudar para a Espanha. Cosmopolita sem exageros, conservadora nos hábitos e na preservação de sua história, moderna nas artes e na técnica, além de ter-me parecido economicamente pujante. 

Em segundo lugar, e principalmente, latimo pesarosamente o uso da força e da violência como meio de encaminhamento de propósitos e idéias. Em terras de São Tiago, no centro do caminho que nos empurra para frente e para o alto (ultréia e suséia) em nossa humanidade e religiosidade, parece-me inadmissível aceitar a violência bruta, justificada por posições ideológicas. Burgos não merece essa manchete! São Tiago esteja com todos nós.

Chegada a Burgos

Chegada a Burgos


BICIGRINO EM SANTIAGO: ORÇAMENTO DE CUSTOS

julho 30, 2009

Todo peregrino atenta-se aos gastos durante a jornada. Quanto vai custar? Quais serão meus gastos prováveis? Segue abaixo os custos reais de minha viagem:

1. Byke (Eu já dispunha da Babieca, portanto, não computei os custos de sua aquisição)

  • Garupeira (suporte para os alforges) e Alforges – R$ 600,00
  • Ferramentas e peças de manutenção e reposição – R$ 200,00
  • Mala byke (para transporte da Byke) – R$ 300,00

2. Roupas de byke para frio e calor – R$ 300,00

3. Passagem aérea (usei minhas milhagens – paguei apenas as taxas de embarque) – R$ 200,00

4. Taxi de Pamplona a SJPP – 90$eu – R$ 270,00

5. Envio de mala pelo correio – 15$eu – R$ 45,00

5. Hospedaria em SJPP – 40$eu – R$ 120,00

6. Hospedaria em Roncesvalles – 35$eu – R$ 105,00

7. Pernoites em Albergues (15 pernoites) – 150$eu – R$ 450,00

8. Jantares e petiscos – 200$eu – R$ 600,00

9. Ônibus de Santiago a Lisboa – 50$eu – R$ 150,00

10. Taxa de embarque da byke no vôo de volta (no vôo de ida não tive que pagar) – 90$eu – R$ 270,00

11. Bugigangas compradas – 40$eu – R$ 120,00

TOTAL: R$ 3.730,00.     Caro ????

Menu Peregrino - Uhummmm!

Menu Peregrino - Uhummmm!


BICIGRINO EM SANTIAGO: ENCERRAMENTO DO PROJETO – FINISTERRE E MUCHIA

julho 28, 2009
Cabo Finisterre

Cabo Finisterre

Ainda que meu plano fosse apenas chegar em Santiago, durante a viagem conheci diversos peregrinos que pretendiam estender sua jornada até Finisterre e Muchia (diz-se muxía). Ambas as cidades despertam grande interesse místico e estão associadas diretamente ao caminho. Há quem diga que o verdadeiro caminho não acaba na catedral de Santiago, mas sim durante o ritual de queima de roupas em Finisterre. Muito bem! Por essas e outras, adivinhem o que aconteceu? Após todo o ritual da chegada em Santiago, eu resolvi dar uma escapada até Finisterre e Muchia, ainda que esses últimos trechos tenham sido feitos de carro como todo o conforto das carreteras da Galícia e em companhia de minha esposa que estava ali para me receber.

Segundo se divulga, Finisterre é conhecida, desde os primórdios da civilização Celta que habitou a região da Galícia, como o ponto mais a oeste do continente europeu (há quem faça um ajuste na afirmação e diga que trata-se do ponto mais a oeste da península Ibérica, apenas). Alguns rituais místicos sugerem a queima de roupas da peregrinação nas pedras da península de Finisterre como forma de deixar para trás a vida antiga e marcar o início da nova vida. Há ainda místicos que crêem que o verdadeiro caminho de Santiago começa em Finisterre e segue pela contramão das setas amarelas, voltando à França – deve ser difícil!!!!!.

Em Muchia comenta-se sobre a lenda da barca de pedra de onde Maria, Mãe de Jesus, incentivou e reconheceu o trabalho de pregação da ‘Palavra’ que Tiago, sozinho, fazia na região, sem muito sucesso. Dalí nasceu a crença em N.Sa. da Barca que pode ser devotada num convento local.

Da próxima vez, Finisterre e Muchia estarão na minha programação original de peregrinação, a pé ou de byke.

Finisterre

Finisterre


BICIGRINO EM SANTIAGO: RESPOSTAS À PEDRO #2

julho 25, 2009

Continuam as respostas dadas ao Pedro, interessado em ‘bicigrinagem’ no fórum do grupo dos amigos de Santiago:

6) O que mais te deu trabalho em termos de ajuste / reparo da bicicleta? O que vistes, neste sentido, acontecendo com os outros ciclistas?

RESPOSTA: Fui num período de muito frio e chuva. Peguei muita lama, barro e gelo. Isso inviabilizou muitos trechos do caminho pela trilha e me levou a optar por algumas estradas. Pode parecer mentira mas não tive sequer que encher os pneus da Babieca durante todo o percurso. O ar do posto de gasolina que encheu os pneus em SJPP na frança foram esvaziados em Santiago quando desmontei a byke para a volta. Nada quebrou, nenhum pneu furou. Nada aconteceu com ela. Porém, ela foi tratada com todo o carinho. Alguns hospitaleiros brincavam com a minha relação com a Byke ( o Acácio, de Villoria de Rioja, teve que ouvir a estória da Babieca em detalhes). Sempre que eu chegava num albergue, tomava meu banho, lavava as roupas (quando dava) e saia para cuidar da byke. Limpei todos os dias os cabos de câmbio e freio, tirava excesso de lama, lubrificava a corrente, etc. Ou seja, pelo
menos uma hora por dia, cuidando da manutenção preventiva dela. Os ciclistas europeus ficava abismados com tamanho carinho. Eles não estão acostumados, simplesmente usam a byke, se quebrar, mandam consertar.

7) Tendo em vista a prioridade dada aos caminhantes em boa parte dos albergues, usar bicicleta não acabaria sendo uma desvantagem? Como se resolve, via de regra, a questão de guardas das bicicletas quando das paradas em albergues?

RESPOSTA: Provavelmente por causa do período que fui, não havia tanta gente assim fazendo o caminho. Em nenhum albergue que eu cheguei faltou lugar para mim, ou eu deixei de ser considerado, por estar de byke. O tratamento foi absolutamente igual. Ma maior parte dos albergues as bykes ficam estacionadas naqueles canos que prendem rodas. Eu tinha um cadeado pequeno
que dava para prender só a roda. Mas em outros albergues, nem isso. O fato é que a byke muitas vezes ficou sozinha, sem estar presa, e para fora da casa. Não tive, ou fiquei sabendo, de qualquer problema com roubos ou coisa assim. Isso também na hora de entrar num bar para tomar um café, comer ou ir ao banheiro. A byke sempre ficou do lado de fora, com os alforges sem qualquer problema. Por via das dúvidas, leve um cadeado. Mas isso não é problema prioritário para ninguém.

8) Estivestes em albergues públicos e privados? Mais nos públicos ou nos privados? Sentistes que os peregrinos de bicicleta tinham alguma diferença de tratamento em termos de acolhida aos peregrinos que usavam bicicletas?

RESPOSTA: São 3 tipos de albergues: municipais (públicos), monásticos e privados. Tive experiência nos 3 tipos e te digo que não há uma regra geral. Os municipais são geralmente maiores, abrigam mais pessoas e têm estrutura adequada (aquecimento, chuveiro quente, maquina de lavar e secar, maquina de café e de snacks, etc) para atender a grande demanda de gente. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo, pois acabam ficando muito impessoais. Os monásticos são mais espartanos em termos de estrutura, mas são mais representativos em termos de história – Ficar no mosteiro de Samos foi o máximo, apesar do frio! Os privados são geralmente menores, alguns tem mais
estrutura e outros menos, geralmente oferecem o jantar dentro do albergue (nos outros você terá que sair para jantar, ou comprar algo para preparar e comer na cozinha do Albergue, se tiver!). Geralmente são mais pessoais, ou seja, você interage mais com o hospitaleiro e com os demais peregrinos daquela noite. Regra geral não há, tem albergue público e privado que são bons e ruins. Sobre o tratamento a ciclistas, conforme disse acima, não senti nem um pontinho de diferença em nenhum tipo de albergue.

9) Qual o ponto mais positivo da tua experiência de fazer o caminho de bicicleta? E o mais negativo? Pensas em fazer novamente o caminho? Em caso afirmativo, farias novamente de bicicleta ou optarias por fazê-lo a pé? Por que?

RESPOSTA: Vou te dar uma única resposta, pessoal, para as duas perguntas acima. O ponto ruim de fazer de byke é que passa rápido demais (já estava com saudade com cheguei ao Monte do Gozo a 3 KM de Santiago), e o fato de eu ter optado por fazer parte dos trechos pelas estradas por questões de segurança, risco e viabilidade do piso – isso reduz um pouco o ‘clima’ do caminho.

Além do mais, acho que o preparo físico do ciclista tem que ser maior. É bem mais difícil fazer uma trilha com piso de pedras e lama de byke, exige mais força e condicionamento. Não empurrei a byke em nenhum momento, mas cheguei a pedalar em velocidade de peregrino andando algumas vezes. Você vê muita gente mais velha fazendo o caminho a pé. Por outro lado, fazendo o caminho
de byke, geralmente você vê gente bem mais jovem e sarada, infelizmente alguns deles desprovidos ‘do clima’ que o caminho oferece. Lembre-se que o caminho é um fim em si mesmo. O importante não é chegar a Santiago, mas peregrinar pelo caminho a Santiago, com a companhia de São Tiago.

Portanto, ainda que eu esteja muito feliz com a minha ‘bicigrinação’ afinal, eu fui sem compromisso com tempo ou com performance, se eu fizer novamente, pretendo fazer a pé, seguindo integralmente o caminho pelas trilhas. De byke, com alforge e sem carro de apoio, fazer todo o caminho pela trilha me parece quase impossível para um ciclista amador como eu.

Mais de babieca na trilha

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