PARALISIA GERAL. SEM OBRAS PÚBLICAS DE INFRAESTRUTURA, NÃO HÁ FUTURO!

maio 8, 2017

Os resultados da Operação Lava Jato, suas derivações e congêneres, que têm dado transparência ao maior escândalo de corrupção sistêmica do país, estão permitindo à Controladoria Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) a aplicação de sanções, através da declaração de inidoneidade, às maiores construtoras do país. Na prática, isso significa que tais empresas estão proibidas de firmar contratos com o Governo Federal para a realização de obras, ressalvando-se, os termos de mitigação de penalidades decorrentes dos acordos de leniência promovidos pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

Se, por um lado, as sanções impostas às construtoras nacionais fortalecem a sensação da aplicação do direito e da legalidade, por outro, deixam consequências avassaladoras à economia.

 

Fragilizadas em suas finanças e em sua reputação nacional e internacional, sem a possibilidade de captar novos contratos e financiamentos públicos, as construtoras se vêm obrigadas a reduzir e adaptar o tamanho de sua operação, vender ativos, promover demissões em massa e a destruir o seu patrimônio intangível, fundamentado no acervo de conhecimentos técnicos e gerenciais de seu capital humano.

 

Por outro lado, o Governo Federal, reconhece que necessita retomar rapidamente as grandes obras de infraestrutura, sob o risco de, em não o fazendo, comprometer o crescimento econômico futuro do país, aprofundar os níveis alarmantes de desemprego (14 milhões de desempregados) e reduzir, ainda mais, a arrecadação de impostos gerados pela produção. Não parece viável, ainda, a abertura do mercado para construtoras estrangeiras, uma vez que reformas constitucionais complexas teriam que ser aprovadas pelo congresso para que estas pudessem se adaptar as nossas legislações trabalhistas, fiscal e contábil, geralmente arcaicas e improdutivas.

 

Outro player que merece atenção são os agentes financeiros. Inidôneas, as construtoras nacionais estão impedidas de dispor de financiamento público pelos agentes de fomento – por força de lei, o BNDES, por exemplo, não pode autorizar novos empréstimos à elas mesmo que disponha do capital e que vislumbre, nas grandes obras de infraestrutura, o perfeito alinhamento estratégico com a sua missão desenvolvimentista, geradora de empregos e redutora de desigualdades sociais e regionais. Já os financiamentos privados, geralmente usados como aporte inicial para as obras (empréstimos ponte), tornam-se inviáveis quando desvinculados da garantia de financiamentos de longo prazo do BNDES. Fato que se sustenta na insegurança jurídica do país, na taxa Selic que, ultimamente, gira em torno de 14% a.a. e no score de risco prejudicado da construtora, considerada inidônea, tomadora do empréstimo. A falta de aporte de capital de terceiros, encarece do custo do capital dos projetos das construtoras, inviabilizando as obras e paralisando a economia.

 

Vale a pena, ainda, mencionar as seguradoras, protagonistas do projeto de lei do seguro garantia (performace bonds) que as posiciona como corresponsáveis pela conclusão integral das obras em nome dos agentes públicos beneficiários do seguro. Sob sua ótica, o prêmio do seguro, solicitado por um tomador considerado inidôneo pelo Governo Federal tende a ser um inviabilizador da realização da obra.

 

Enfim, a ninguém interessa o encolhimento das grandes construtoras, a destruição da indústria da construção nacional, a interrupção dos repasses do BNDES ou a paralisia das obras de infraestrutura do país.  Assim como, a ninguém interessa a continuidade do modelo histórico viciado, revelado pela Operação Lava Jato. Portanto, resta a busca e a proposição de uma solução represente algo novo – um modelo de rápida aplicação, pautado na eficiência da realização das obras e na garantia de seu desempenho, na governança ética e robusta à atos de corrupção, no atendimento às leis (compliance) e na transparência. Quem se habilita a encaminhar essa discussão?

 

Por: Alonso Mazini Soler, D.ENG. – Pós Graduação, Insper

 alonso.soler@schedio.com.br


Corrida de São Silvestre Usando a Corrente Crítica – post #3

dezembro 9, 2010

Definição e estimativa dos ‘meus’ tempos para cada trecho do percurso

Baseado nas distâncias dos trechos por níveis de complexidade, sinto-me apto a estimar os tempos previstos para cada trecho.

Usarei para tanto meu tempo basal (em km/h), oriundo de dados histórico, em ambiente de treino leve, geralmente realizado em superfície plana e em temperatura de final de tarde de São Paulo/SP. Nessas condições meu atual estado de condicionamento físico indica o tempo médio de 9,5 Km/h.

Considerando que as condições de medida desse meu tempo basal foram obtidas em CNTP (lembram-se do CNTP no 2º grau?), e que as condições de complexidade do percurso da Corrida de São Silvestre são específicas (veja Post #2), aplicarei um ‘Fator Deflator’ (FD) sobre esse desempenho basal considerando a complexidade de cada trecho do percurso, do seguinte modo:

–       Trechos de complexidade Baixa: FD = 0% adicional

–       Trechos de complexidade Média: FD = 10% adicional

–       Trechos de complexidade Média/Alta: FD = 20% adicional

–       Trechos de complexidade Alta: FD = 30% adicional

A justificativa desse FD assenta-se sob a premissa de conseguir elaborar estimativas mais adequadas, sob uma ótica justa (sem grandes riscos de atrasos) e que possibilitem prover maior assertividade (tempo estimado vs tempo real) ao resultado final na prova (tempo total de prova).

Afinal, não é assim que são estimadas as durações das atividades dos projetos? Considerando que as estimativas providas acabam tornando-se compromissos assumidos, os especialistas incumbidos de elaborar essas estimativas tendem a deflacionar seus números protegendo-se de eventuais incertezas que possam atrasar os cronogramas sem comprometer compromissos de entrega – esse é um dos princípios básicos da teoria da Corrente Crítica.

Assim, estimo que poderei correr nas seguintes velocidades cada tipo de trecho do percurso:

–       Complexidade Baixa: 9,5 Km/h

–       Complexidade Média: 8,55 Km/h (10% abaixo do tempo basal)

–       Complexidade Média/Alta: 7,6 Km/h (20% abaixo do tempo basal)

–       Complexidade Alta: 6,65 Km/h (30% abaixo do tempo basal)

O que me leva a estimar meus tempos ‘por trecho’ do seguinte modo:

* Esse trecho foi reclassificado como tendo complexidade Média por causa do tráfego na largada e no quilômetro inicial da corrida. Dados históricos da corrida de São Silvestre indicam que, geralmente, não se consegue correr adequadamente nesse trecho.

TABELA 2: Divisão por trechos de complexidade semelhantes

Ou seja, meu compromisso, baseado em dados históricos de desempenho, é completar os 15 Km da prova em até 1,75 horas ou 1 hora e 44 minutos. Comparado ao desempenho obtido dos corredores na prova do ano passado minha colocação seria aproximadamente 9.000 em 20.000 inscritos (Putz! Tanta coisa para ficar entre os primeiros milhares). É óbvio que não pretendo chegar na frente dos Quenianos (ainda), mas meu planejamento pessoal aponta para um desempenho mediano, compatível com meu estado de condicionamento físico atual.

Considerando a visão de projetos, meu cronograma em CPM ficaria do seguinte modo:

Bem, agora resta traduzir esse cronograma original CPM para um cronograma em Corrente Crítica. Leiam no próximo post.

Alonso Mazini Soler, PMP – Profissional de Projetos, Professor de MBAs e Autor de livros de Gerenciamento de Projetos


Equibrando Vida e Trabalho

abril 12, 2010

Sou Alonso Soler. Trabalho com Gerenciamento de Projetos. Consigo equilibrar minha vida pessoal e o trabalho.”

Pois então amigos, foi assim que resolvi me apresentar no “twitter”. Definitivamente acho que a idade (não é tanta assim!) e o acúmulo de inúmeras experiências profissionais e de vida, tudo isso junto, batido no liquidificador, me levou a tentar mudar. Sinto-me forte e amadurecido, autoconfiança elevada e muito, muito mais feliz.

Nos últimos três anos perdi 12 KG, passei a fazer esportes regularmente, mudei a alimentação, viajei a passeio mais vezes, estive mais próximo da minha esposa, filhos e dos amigos, virei peregrino do Caminho de Santiago de Compostela, passei a apreciar os bons vinhos, passei a freqüentar e fomentar saraus culturais, etc. Puxa!  A vida está mais legal e o meu projeto de vida aponta para a necessidade de mais 100 anos até que eu possa completar a lista de realizações pretendidas. 

Será que você se interessa por esse tipo de experiência? Será que você também não tem vontade de mudar de vida? Pretendo escrever sobre essas coisas e essa nova forma de levar a vida, tomando a minha própria vido como base. Convido a quem ser interessar me seguir no twitter (www.twitter.com – @alonsosoler).

Um abração

Alonso Soler


BICIGRINO EM SANTIAGO: O ESCOPO ESTAVA ERRADO

agosto 10, 2009

Chegando à catedral de Santiago, percebi que consegui cumprir rigorosamente todas as etapas de meu projeto, com algumas modificações intermediárias, mas que não afetaram o escopo original. Consegui chegar às muralhas da cidade um dia antes do previsto, a um custo bem menor do que eu havia estimado. Não tive problemas de saúde, nem problema mecânicos com a Babieca. Tudo funcionou perfeitamente. O plano que elaborei funcionou, permitindo-me realizar a jornada com relativa folga e grande êxito.

Entretanto, três meses depois do meu retorno, pergunto-me: Por que não desci da Byke naquele dia maravilhoso durante a trilha? Por que não parei em todas as igrejas ? Todas as catedrais? Por que não estendi o trecho até aquele outro povoado onde eu poderia ter visto tal coisa? Por que não passei mais tempo com aquelas pessoas ? Por que fiquei tão preocupado com o cronograma e com o meu desempenho pessoal, que deixei de ouvir mais profundamente os sons do silêncio da solidão do caminho ? Por que não me atrasei um pouco, para sentir o momento e tudo o que ele estava me proporcionando ? Se Santiago estava comigo, por que a pressa?

Caramba, será que mirei no alvo errado? Será que o escopo de meu projeto era chegar na cidade de Santiago, conforme constava em meu plano ? Ou será que viver e sentir o caminho em si é que deveria ter sido o escopo do meu projeto ? Meu plano teria sido outro. Ouro cronograma, outro orçamento, outros benefícios. Mirei na catedral e deixei de sentir a beleza do pasto. Fiz certo um projeto que tinha o escopo errado. Que pena! … Que bom! Terei que voltar.


BICIGRINO EM SANTIAGO: RUMO À ÍTACA

agosto 4, 2009

Contribuição de Ana Carolina Shinoda, pós graduação da FEA-USP, após minha palestra sobre a viagem à Santiago de Compostela e minha descoberta de que a chegada foi apenas o início de minha jornada. A poesia de Konstantinos Kaváfis expressa exatamente o que (penso) deveríamos sentir quando partimos rumo a Santiago. Que pena que só descobrimos isso quando estamos á beira das muralhas da cidade … 

“se partires um dia rumo a Ítaca, / faz votos de que o caminho seja longo, / repleto de aventuras, repleto de saber. (…) Tem todo o tempo Ítaca na mente. / Estás predestinado a ali chegar. / Mas não apresses a viagem nunca. / Melhor muitos anos levares de jornada / e fundeares na ilha velho enfim, / rico de quanto ganhaste no caminho, / sem esperar riquezas que Ítaca te desse. / Uma bela viagem deu-te Ítaca. / Sem ela não te ponhas a caminho. / Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. / Ítaca não te iludiu, se a achas pobre. / Tu te tornaste sábio, um homem de experiência, / e agora sabes o que significam Ítacas.”  –  Konstantinos Kaváfis (poeta)

Ultréia e Suzéia!


BICIGRINO EM SANTIAGO: SOBRE BURGOS E AS MANCHETES

julho 30, 2009

Assustei-me esta manha com as capas dos jornais retratando um prédio destruído em Burgos. Imediatamente fui remetido às lembranças de minha passagem pela cidade durante minha bicigrinação no último mês de Abril/2009. Esta é a segunda vez que Burgos me acorda depois do meu retorno. A primeira vez foi o caso do peregrino Italiano encontrado morto no albergue Del Cubo – o mesmo em que eu fiquei hospedado.

Para mim essas notícias são motivo de lástima, primeiramente pela consideração à cidade de Burgos, terra de El Cid, linda e acolhedora (ganhei um jantar de graça e uma roda de papo que adentrou a noite por causa do nome da minha bicicleta, Babieca). Trataram-me maravilhosamente bem, desde a chegada triunfal por uma trilha margeando o rio onde pessoas comuns pescavam trutas e que desembocava no pórtico de entrada da cidade, imediatamente próximo da catedral e do albergue – aliás, o de MELHOR infra-estrutura de todo onde eu me hospedei. Burgos seria a cidade que eu escolheria morar se tivesse que me mudar para a Espanha. Cosmopolita sem exageros, conservadora nos hábitos e na preservação de sua história, moderna nas artes e na técnica, além de ter-me parecido economicamente pujante. 

Em segundo lugar, e principalmente, latimo pesarosamente o uso da força e da violência como meio de encaminhamento de propósitos e idéias. Em terras de São Tiago, no centro do caminho que nos empurra para frente e para o alto (ultréia e suséia) em nossa humanidade e religiosidade, parece-me inadmissível aceitar a violência bruta, justificada por posições ideológicas. Burgos não merece essa manchete! São Tiago esteja com todos nós.

Chegada a Burgos

Chegada a Burgos


BICIGRINO EM SANTIAGO: ORÇAMENTO DE CUSTOS

julho 30, 2009

Todo peregrino atenta-se aos gastos durante a jornada. Quanto vai custar? Quais serão meus gastos prováveis? Segue abaixo os custos reais de minha viagem:

1. Byke (Eu já dispunha da Babieca, portanto, não computei os custos de sua aquisição)

  • Garupeira (suporte para os alforges) e Alforges – R$ 600,00
  • Ferramentas e peças de manutenção e reposição – R$ 200,00
  • Mala byke (para transporte da Byke) – R$ 300,00

2. Roupas de byke para frio e calor – R$ 300,00

3. Passagem aérea (usei minhas milhagens – paguei apenas as taxas de embarque) – R$ 200,00

4. Taxi de Pamplona a SJPP – 90$eu – R$ 270,00

5. Envio de mala pelo correio – 15$eu – R$ 45,00

5. Hospedaria em SJPP – 40$eu – R$ 120,00

6. Hospedaria em Roncesvalles – 35$eu – R$ 105,00

7. Pernoites em Albergues (15 pernoites) – 150$eu – R$ 450,00

8. Jantares e petiscos – 200$eu – R$ 600,00

9. Ônibus de Santiago a Lisboa – 50$eu – R$ 150,00

10. Taxa de embarque da byke no vôo de volta (no vôo de ida não tive que pagar) – 90$eu – R$ 270,00

11. Bugigangas compradas – 40$eu – R$ 120,00

TOTAL: R$ 3.730,00.     Caro ????

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