Bicigrino em Santiago: Escopo do Projeto II

junho 5, 2009

No último dia 27 de Maio foi encontrado morto um peregrino que fazia o caminho de Santiago de Compostela. Morreu dormindo num albergue da cidade de Burgos (aliás, um dos melhores em estrutura do caminho). Imediatamente diversas vozes se levantaram nos fóruns a alertar sobre a necessidade de se estar em condições adequadas de preparação física e de saúde antes de dar início à jornada.

Incluindo a mim, que com o meu exemplo de planejamento, preparei-me adequadamente fisicamente para a jornada, acabamos por restringir o desejo de muitos possíveis peregrinos ansiosos por fazer o caminho, pelo motivo que lhe conviesse.

Um único peregrino, entretanto, escreveu sobre a possibilidade de ter sido ‘boa’ a morte de quem morreu caminhando. Qualquer que seja a nossa influência religiosa espiritual, afinal, não é esse o sentido da vida?


Bicigrino em Santiago: Motivação para a Jornada

junho 3, 2009

Não me considero religioso nem místico, pelo contrário (ainda que meus amigos e irmãos mais próximos tentem me convencer do contrário). Sou totalmente cartesiano e pragmático – por isso me encontrei nessa profissão de gerente de projetos. Mas, exatamente por ter que mudar meu modo natural de pensar, que essa experiência, foi muito gratificante para mim.

Aprendi a me conhecer melhor. Analisei meu comportamento diante de riscos, do medo, da solidão. Coloquei-me distante da minha rotina de vida e trabalho e pude refletir sobre ela como alguém que vê de fora – um amigo, por exemplo, que te conhece e te dá conselhos. Estranha sensação de falar comigo mesmo durante horas a fio.

Praça do Obradorio

Praça do Obradorio

Ainda que meus motivos da minha viagem não fossem, necessariamente, religiosos ou místicos, contagiei-me cada vez mais pela religiosidade Cristã que paira sobre o caminho. Aproximei-me e experimentei a verdadeira vida peregrina. Senti as dores de ficar horas sobre a byke, com os músculos em atividades intensa. Senti frio. Dormi em saco de dormi sobre um beliche e, por algumas vezes (poucas) no chão de pedra. Tomei banho frio e comi apenas aquilo que necessitava para manter a minha integridade física e continuar trilhando o caminho. 

Aprendi (li em um dos locais que visitei) que o caminho é uma escola de vida, nele emergem a solidariedade frente ao individualismo, a conversação frente a falta de comunicação, o mundo interior frente à dissipação, a austeridade frente ao consumismo, o espírito aberto frente ao localismo, a simplicidade frente à complexidade, a personalidade frente ao mimetismo social e o sacrifício frente ao hedonismo.

Encontrei meus motivos no caminho, terminei mais próximo de mim, dos meus e de Deus. Ultreia e Suseia!